Saúde

Morre a última paciente dos Estados Unidos que utilizava um pulmão de aço

23 de Julho de 2026 às 18:08

Martha Lillard, última paciente dos Estados Unidos a utilizar um pulmão de aço, morreu aos 78 anos em 26 de junho. O óbito foi atribuído a insuficiência pulmonar crônica e síndrome pós-pólio, embora a irmã relacione a morte à covid de longa duração

Morre a última paciente dos Estados Unidos que utilizava um pulmão de aço
Acervo pessoal/Cindy McVey

Martha Lillard, residente de Oklahoma, faleceu em 26 de junho, aos 78 anos, sendo a última paciente nos Estados Unidos a utilizar um pulmão de aço. Embora o registro oficial aponte insuficiência pulmonar crônica e síndrome pós-pólio como causas do óbito, sua irmã, Cindy McVey, associa a morte aos efeitos da covid de longa duração.

Lillard utilizou o dispositivo de suporte respiratório por aproximadamente 73 anos. O equipamento opera por meio de um sistema de pressão negativa, onde um motor aciona um fole para extrair o ar de um cilindro, criando um vácuo que força a expansão dos pulmões para a absorção de oxigênio, revertendo o processo para a exalação.

Superação e adaptações tecnológicas

Diagnosticada com poliomielite em meados da década de 1950, aos cinco anos de idade, Martha Lillard enfrentou a doença em um período de grande impacto social e sanitário. Após a internação, ela passou por processos de hidroterapia, terapia ocupacional e fisioterapia, conseguindo recuperar a mobilidade das pernas e o uso parcial do braço esquerdo.

Para garantir a autonomia da paciente, sua família desenvolveu adaptações específicas:

  • Acesso ao equipamento: O avô e o tio de Martha criaram um mecanismo que permitia a ela entrar e sair do pulmão de aço sem auxílio.
  • Mobilidade urbana: Um veículo foi adaptado com o volante posicionado sobre o colo e as setas instaladas no assoalho, facilitando a condução devido à limitação dos braços.

Além da independência física, Lillard manteve a vida ativa através da pintura de paisagens, do cuidado com cães da raça beagle e do uso de assistentes virtuais. No campo pessoal, casou-se em fevereiro com Baha Salh, egípcio que se mudou para os Estados Unidos este ano após a obtenção do visto.

O impacto da poliomielite e o cenário vacinal

A poliomielite foi devastadora entre o final do século 19 e o início do século 20. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a paralisia irreversível ocorre em um caso a cada 200 infecções. Entre os pacientes paralisados, a taxa de mortalidade varia de 5% a 10% quando há imobilização da musculatura respiratória.

A vacina contra a pólio foi disponibilizada em 1955, um ano após a infecção de Martha Lillard. Graças a campanhas nacionais de imunização, a doença foi declarada eliminada nos Estados Unidos em 1979.

Atualmente, porém, há um crescimento na hesitação vacinal no país. Kirk Milhoan, presidente do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização do CDC, sugeriu que a vacinação contra a pólio se tornasse opcional, argumentando que as condições atuais de saneamento e os riscos de doença diferem da época do pico da enfermidade.

Essa tendência gera preocupação em familiares de sobreviventes, como Cindy McVey, que alerta para a gravidade das deformações e da invalidez causadas pela doença, reiterando que os riscos da não vacinação superam os eventuais problemas associados ao imunizante.

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