Mortalidade por câncer de mama é quatro vezes maior entre mulheres negras, aponta o Inca
Dados do Inca indicam que a mortalidade por câncer de mama é quase quatro vezes maior entre mulheres negras do que entre brancas. A disparidade decorre de dificuldades no acesso a exames e tratamentos, além da maior frequência de tumores agressivos nesse grupo
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A mortalidade por câncer de mama é quase quatro vezes maior entre mulheres negras, apesar de a incidência da doença ser menor nesse grupo em comparação às mulheres brancas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (27) pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), por meio de uma publicação que sintetiza 24 estudos realizados em seis países, incluindo o Brasil.
Barreiras no acesso e diagnóstico
A disparidade nos desfechos clínicos é atribuída a desigualdades históricas no acesso a serviços de saúde, exames de detecção precoce e tratamentos. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, há uma diferença relevante na realização de mamografias de rastreamento: enquanto mais de 61% das mulheres brancas realizam o exame, o índice cai para a faixa de 54% a 56% entre mulheres pretas e pardas.
A detecção tardia é um fator crítico, pois mulheres negras tendem a ser diagnosticadas em idades mais jovens e com a doença em estágios mais avançados.
Características biológicas e agressividade
Além das barreiras sociais, a publicação do Inca destaca que tumores mais agressivos são mais frequentes em mulheres pretas e pardas. Um exemplo é o câncer de mama triplo-negativo, caracterizado pela ausência de marcadores de membrana.
Esse tipo de tumor apresenta as seguintes particularidades:
- Evolução mais rápida;
- Maior capacidade de proliferação;
- Maior tendência à formação de metástase.
Devido a essas características, o reconhecimento precoce e a aplicação de tratamentos específicos e urgentes são essenciais para a sobrevivência da paciente.
Impacto do diagnóstico precoce
A importância da detecção antecipada é evidenciada em casos reais. Solange Barbosa de Freitas, diagnosticada aos 51 anos em 2019 durante exames de rotina, atribui o sucesso de seu tratamento à descoberta precoce da doença. Já Joyce do Nascimento, diagnosticada aos 23 anos, passou por quimioterapia e mastectomia total da mama esquerda, com retirada de tecido axilar, reforçando a necessidade de buscar assistência médica imediata.
Diante do cenário exposto, a direção do Inca enfatiza a urgência de a formulação de políticas públicas que ampliem o acesso da população negra ao diagnóstico precoce, visando reduzir as desigualdades na saúde e a taxa de mortalidade.