Morte de fisiculturista reacende debate sobre os riscos do uso de substâncias hormonais no esporte
O fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, morreu no último sábado devido a uma cardiomiopatia hipertrófica. O atleta registrava o uso de insulina e testosterona, substância cujo consumo cresceu 670% nos últimos cinco anos, segundo a Anvisa
A morte súbita do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, ocorrida no último sábado (23), trouxe à tona a discussão sobre os riscos do uso de substâncias hormonais no esporte. O atestado de óbito do atleta indicou que a causa da morte foi uma cardiomiopatia hipertrófica, condição cardíaca que pode ter origem genética ou ser agravada pelo consumo de anabolizantes. Em suas redes sociais, onde possuía mais de 1,7 milhão de seguidores, Ganley registrava a administração de hormônios, incluindo testosterona e insulina.
O cenário de consumo dessas substâncias apresenta um crescimento expressivo. Dados da Anvisa revelam que o uso de testosterona subiu 670% nos últimos cinco anos. Paralelamente, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia identificou que um em cada 16 estudantes do Ensino Fundamental ou Médio já utilizou anabolizantes.
A relação entre hormônios e o esporte de alto rendimento, bem como os perigos específicos do uso de insulina e os limites da prática saudável no fisiculturismo, são temas analisados por especialistas. Filippo Aragão Savioli, médico com especialização em clínica médica, cardiologia e cardiologia do exercício, além de ter sido professor de Medicina Esportiva na Unifesp, detalha os tipos de anabolizantes e seus riscos. Já Alexandre Arraes, médico pós-graduado em cardiologia do esporte com foco no atendimento a atletas de fisiculturismo, examina a interação entre essas substâncias e a performance esportiva.