Morte do cantor Netinho reacende debate sobre o linfoma não Hodgkin
O cantor Netinho morreu aos 59 anos no Hospital Aliança Star, em Salvador, devido ao retorno do linfoma não Hodgkin. Diagnosticado em 2025, o artista teve alta em junho de 2026, mas a doença manifestou-se de forma agressiva em maio do mesmo ano
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A morte do cantor Netinho, aos 59 anos, reacende o debate sobre o linfoma não Hodgkin, um grupo heterogêneo de cânceres que se originam nas células do sistema linfático. O artista, que havia sido diagnosticado com a doença em 2025, faleceu após o retorno do câncer, que se manifestou de forma mais agressiva em maio de 2026, apesar de ter passado por um período de remissão e ter recebido alta médica em junho do mesmo ano. Netinho estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador.
O que é o linfoma não Hodgkin
O sistema linfático atua na defesa do organismo e, como seus tecidos estão distribuídos por todo o corpo, os tumores podem surgir em diversas regiões. O linfoma não Hodgkin ocorre quando as células desse sistema se multiplicam de maneira desordenada.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), não se trata de uma patologia única, mas de um conjunto que abrange mais de 40 tipos diferentes. Essa diversidade implica que a doença pode ter comportamentos distintos: alguns subtipos evoluem lentamente, enquanto outros são mais agressivos e podem atingir órgãos fora do sistema linfático com maior frequência. A condição pode acometer crianças, adolescentes e adultos, sendo mais prevalente em idosos.
Diferenças entre os tipos de linfoma
Embora compartilhem a origem no sistema linfático e sintomas semelhantes, o linfoma de Hodgkin e o não Hodgkin são doenças distintas. A diferenciação é feita via biópsia e é crucial para definir a estratégia terapêutica e a evolução do quadro.
- Linfoma de Hodgkin: Caracteriza-se pela presença das células de Reed-Sternberg (linfócitos alterados) na biópsia. Sua disseminação costuma ser mais previsível, ocorrendo de forma contígua entre os linfonodos. Apresenta picos de incidência em adultos jovens (20 a 35 anos) e em pessoas acima de 60 anos.
- Linfoma não Hodgkin: É mais heterogêneo, com mais de 40 variações, e exige tratamentos variados conforme o subtipo identificado.
Sintomas e diagnóstico
O sinal mais característico de ambos os tipos de câncer é o aumento dos gânglios linfáticos, que se manifestam como caroços ou ínguas, geralmente indolores, no pescoço, axilas e virilha. Outros sintomas comuns incluem:
- Febre persistente e suor noturno;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Cansaço intenso, fraqueza e indisposição;
- Tosse e coceira na pele.
O diagnóstico definitivo é confirmado por meio da biópsia do linfonodo suspeito, com a retirada parcial ou total do gânglio para análise laboratorial.
Tratamento e perspectivas de cura
As opções terapêuticas variam conforme o subtipo do linfoma e incluem quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e transplante de medula óssea. Tecnologias mais avançadas, como as terapias-alvo e a CAR T-cell — que utiliza células T do próprio paciente para atacar o câncer —, também podem ser indicadas.
A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) indica que as chances de cura do linfoma não Hodgkin giram, em média, entre 60% e 70%, variando conforme a extensão da doença e o subtipo.
A perspectiva de recuperação está ligada ao tempo de remissão. Pacientes que apresentam recaídas logo após o tratamento de primeira linha tendem a ter a evolução da doença mais comprometida do que aqueles que recidivam após um longo período. Além disso, a idade e a ausência de comorbidades influenciam a tolerância a tratamentos mais intensivos e tóxicos, que podem oferecer respostas terapêuticas superiores.