Mortes relacionadas ao consumo de álcool ao dirigir crescem 6,2% no Brasil em 2024
O Brasil registrou 13.075 mortes por álcool e direção em 2024, alta de 6,2% frente ao ano anterior. As internações subiram 1,9% em 2025, totalizando 102.440 casos, com homens representando 86,7% dos óbitos e 81,8% das hospitalizações. Mato Grosso, Rondônia e Acre concentram as maiores taxas de mortalidade
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O Brasil registrou 13.075 mortes relacionadas à combinação de álcool e direção em 2024, o que representa um aumento de 6,2% em comparação ao ano anterior. Os dados, analisados pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) e divulgados próximo ao Dia Nacional da Lei Seca, 19 de junho, indicam que a trajetória de queda na mortalidade perdeu força. Embora a taxa de óbitos por 100 mil habitantes tenha recuado 19,5% entre 2010 e 2024, o número absoluto de vítimas voltou a subir.
A tendência de alta também atinge as hospitalizações. Em 2025, foram contabilizadas 102.440 internações decorrentes de acidentes associados ao consumo de bebidas alcoólicas, um crescimento de 1,9% em relação ao período anterior.
O perfil das vítimas revela uma disparidade acentuada de gênero. Em 2024, os homens foram responsáveis por 86,7% das mortes e 81,8% das internações ligadas ao álcool no trânsito. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool é fator determinante em 36,6% das ocorrências de trânsito entre homens, contra 26,3% entre as mulheres. Mariana Thibes, coordenadora do CISA, atribui essa diferença a fatores comportamentais e normas culturais que associam o consumo excessivo de álcool e a predisposição ao risco à masculinidade.
A Lei Seca, implementada em 2008 com tolerância zero, é reconhecida por sua eficácia ao longo de 18 anos, mas a legislação isolada já não consegue sustentar a redução de mortes. O cenário atual é impactado pelo crescimento da frota de veículos e, especialmente, pelo aumento de acidentes com motocicletas. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam que 40% de todos os óbitos no trânsito em 2023 envolveram motociclistas.
Para reverter a tendência, é necessário fortalecer a fiscalização com o uso estratégico de bafômetros, ampliar o acesso ao atendimento de emergência e criar campanhas preventivas focadas nos grupos mais vulneráveis. Um estudo internacional de março de 2026, abrangendo 165 países, confirmou que a redução dos limites legais de álcool no sangue só é plenamente eficaz quando combinada com fiscalização frequente e políticas de segurança viária.
A análise do CISA também evidenciou desigualdades regionais. Dezoito estados brasileiros apresentaram taxas de mortalidade por álcool acima da média nacional, com os índices mais elevados concentrados em Mato Grosso, Rondônia e Acre. No quesito internações, 16 estados superaram a média do país, com destaque para as taxas registradas em Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.
A metodologia utilizada para o levantamento baseou-se no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Datasus, e no Fator Atribuível ao Álcool (FAA) da OMS, utilizando estimativas populacionais do IBGE.