Mulher torna-se mãe após reimplante de tecido ovariano congelado há 23 anos
Kassandra Bacon, de 44 anos, teve um filho após o reimplante de tecido ovariano congelado há 23 anos durante tratamento de linfoma de Hodgkin. A paciente realizou a cirurgia em Israel e a gestação ocorreu via fertilização in vitro
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Uma mulher de 44 anos, Kassandra Bacon, tornou-se mãe biológica após a reimplantação de tecido ovariano que havia sido congelado 23 anos antes, quando ela enfrentava um tratamento contra o linfoma de Hodgkin. O nascimento de seu filho, Landon, ocorrido em setembro deste ano, é resultado de um procedimento que visava preservar a fertilidade da paciente durante a adolescência.
Preservação da fertilidade e tratamento oncológico
Aos 17 anos, Bacon foi diagnosticada com o câncer raro que afeta o sistema linfático. Após uma recidiva grave um ano depois do primeiro tratamento, a paciente precisou de quimioterapia agressiva e um transplante de medula óssea. Devido à urgência do início do tratamento, não havia tempo hábil para o processo convencional de congelamento de óvulos, que demanda semanas de estímulo hormonal.
Diante da impossibilidade de aguardar o ciclo menstrual, Bacon optou por uma técnica experimental na época: a retirada cirúrgica de fragmentos do tecido dos ovários para armazenamento em laboratório. A cirurgia foi realizada por Sara Matthews, uma das poucas especialistas capacitadas no Reino Unido para tal procedimento.
Recuperação da função reprodutiva
Embora o tratamento oncológico tenha sido bem-sucedido, a intensidade da terapia causou danos permanentes aos ovários, levando Bacon à menopausa precoce aos 33 anos. Para tentar reverter a condição, a paciente buscou o reimplante do tecido congelado.
Como a cirurgia original ocorreu antes da regulamentação do procedimento no Reino Unido, a falta de documentação impediu a realização do reimplante no país de origem. Bacon foi encaminhada ao Centro Médico Sheba, em Ramat Gan, Israel. A viagem para a operação foi adiada devido ao conflito iniciado em outubro de 2023, sendo concretizada apenas em maio de 2024, durante um cessar-fogo temporário.
O processo de reimplante e a gestação
O transplante de tecido ovariano funciona de forma similar a um enxerto de pele. O material descongelado é posicionado próximo aos ovários remanescentes para que se reconecte aos vasos sanguíneos, permitindo a retomada da liberação mensal de óvulos.
Após a intervenção, Bacon voltou a menstruar. A gravidez foi alcançada por meio de fertilização in vitro, após três ciclos de tentativa, com a confirmação positiva ocorrendo no Natal de 2025.
Dados técnicos e perspectivas médicas
A eficácia do reimplante de tecido ovariano é sustentada por estudos recentes:
- Um levantamento de 2024 indica que o ciclo reprodutivo é restabelecido em até 94% dos casos.
- Dados de 2022 apontam que aproximadamente 28% desses transplantes resultam no nascimento de bebês.
A cirurgiã Sara Matthews ressalta que a discussão sobre a preservação da fertilidade tornou-se prioritária no atendimento a jovens pacientes com câncer, dado que a melhora nos prognósticos de cura infantil amplia a necessidade de garantir que esses pacientes tenham a possibilidade de formar famílias na vida adulta.