Saúde

Nova substância da Eli Lilly reduz peso de pacientes com diabetes em até 28,3%

08 de Junho de 2026 às 06:14

A substância retatrutida, da Eli Lilly, reduziu em até 28,3% o peso de pacientes com diabetes tipo 2 em estudo com 930 adultos. Os dados, publicados na revista Lancet, indicam que a molécula de tripla ação também diminuiu a apneia do sono e dores de osteoartrite. O fármaco não possui aprovação sanitária e a Anvisa monitora sua comercialização ilegal no Brasil

A substância retatrutida, desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, demonstrou a capacidade de reduzir em até 28,3% o peso de pacientes com diabetes tipo 2, resultado comparável ao de cirurgias bariátricas. Os dados, publicados no sábado (6) pela revista científica Lancet e apresentados no congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), nos Estados Unidos, indicam que a molécula pode alterar o panorama do tratamento da doença.

Classificada como uma molécula de "tripla ação", a retatrutida pertence à família dos medicamentos GLP-1, a mesma do Ozempic e do Mounjaro. Enquanto seus predecessores atuam em um ou dois hormônios, a nova substância age simultaneamente em três. Ela mimetiza hormônios liberados pelo intestino após as refeições, que sinalizam saciedade ao cérebro e auxiliam o pâncreas no controle da insulina. O diferencial reside na ativação do receptor de glucagon, que estimula o organismo a aumentar o gasto calórico, inclusive em estado de repouso.

O estudo clínico acompanhou 930 adultos com diabetes tipo 2 durante 80 semanas, divididos entre grupos que receberam doses semanais do fármaco ou placebo. Os pacientes submetidos à dose mais alta apresentaram uma perda de peso quatro vezes superior à do grupo controle, e mais de 65% deles deixaram de ser classificados como obesos pelo Índice de Massa Corporal (IMC). Além disso, a redução dos níveis de açúcar no sangue foi mais que o dobro da registrada no grupo placebo.

A pesquisa também apontou eficácia no tratamento de outras condições. Em pessoas com obesidade, a retatrutida reduziu a gravidade da apneia do sono em 60,6%, distúrbio que interrompe a respiração noturna e eleva riscos cardíacos. No caso da osteoartrite no joelho, a substância diminuiu a dor em até 73,1%. Esses resultados podem fundamentar futuros pedidos regulatórios para a expansão do uso do medicamento.

Apesar do potencial terapêutico, a retatrutida ainda não possui aprovação sanitária e requer análises adicionais de segurança e revisões formais por agências reguladoras. No entanto, a Eli Lilly alertou durante a conferência da ADA sobre a circulação ilegal da substância. No Paraguai, uma empresa anunciou a produção de canetas com o composto em março deste ano, promovendo o produto em eventos com influenciadores brasileiros.

A Anvisa e a Polícia Federal monitoram o mercado paralelo de canetas emagrecedoras, reforçando que a comercialização de qualquer produto à base de retatrutida é ilegal e oferece riscos à saúde. A Receita Federal realiza apreensões diárias na fronteira de Foz do Iguaçu, principal rota de entrada desses fármacos no Brasil. Apenas nos três primeiros meses de 2026, o valor dos produtos apreendidos superou R$ 11 milhões, montante maior do que todo o ano de 2025.

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