Saúde

Novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia priorizam terapias não farmacológicas no tratamento da fibromialgia

06 de Julho de 2026 às 09:03

A Sociedade Brasileira de Reumatologia atualizou as diretrizes para o tratamento da fibromialgia, que afeta cerca de 7 milhões de brasileiros. As novas recomendações priorizam terapias não farmacológicas, como exercícios físicos e apoio psicológico, em detrimento do uso isolado de medicamentos. O diagnóstico permanece exclusivamente clínico, baseado na análise de sintomas e no histórico do paciente

A fibromialgia afeta entre 2% e 3% da população brasileira, totalizando aproximadamente 7 milhões de pessoas. A condição é caracterizada principalmente por dores generalizadas, que diferem de inflamações ou lesões por estarem relacionadas à forma como o organismo processa a percepção da dor. O quadro clínico costuma ser acompanhado por fadiga persistente, sono não reparador, formigamentos nas extremidades, ansiedade, depressão e dificuldades de concentração.

O diagnóstico da doença é exclusivamente clínico, baseado na análise dos sintomas e no histórico do paciente, com a exclusão de outras patologias. A ausência de marcadores biológicos, exames de imagem ou testes laboratoriais capazes de confirmar a condição torna a investigação extensa e, frequentemente, prolonga a demora para a confirmação do quadro. Essa dificuldade é acentuada pela subjetividade dos sintomas, que dependem do relato do paciente e podem ser confundidos com outras enfermidades.

As novas Diretrizes Brasileiras para o Tratamento da Fibromialgia, publicadas pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), atualizam as recomendações de 2010 e estabelecem que as terapias não farmacológicas agora ocupam a posição central no controle da doença. O tratamento deve ser interdisciplinar e centrado no paciente, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos.

Entre as estratégias com maior evidência científica estão a educação do paciente e de seus familiares, a acupuntura, técnicas de neuromodulação e terapias psicológicas, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A prática de exercícios físicos, especialmente a combinação de fortalecimento muscular e atividades aeróbicas, é fundamental, assim como o apoio de práticas complementares, a exemplo de exergames e Tai Chi Chuan.

Quanto ao suporte medicamentoso, fármacos como a pregabalina, a duloxetina e a amitriptilina — esta última indicada para distúrbios do sono e dor — são utilizados para aliviar sintomas e melhorar a funcionalidade, embora não controlem a doença isoladamente. As diretrizes desaconselham o uso rotineiro de benzodiazepínicos, canabinoides, anti-inflamatórios, opioides e terapias intravenosas, devido à falta de eficácia comprovada e aos riscos de efeitos adversos.

O estresse emocional é apontado como o principal gatilho para crises, embora alterações de temperatura e infecções virais também possam agravar os sintomas. O impacto na qualidade de vida é significativo, especialmente quando há comorbidades reumatológicas ou psiquiátricas.

Embora a hospitalização possa ocorrer, ela é considerada rara e geralmente não traz benefícios para a maioria dos pacientes. O foco do cuidado é o automanejo das crises para reduzir a dependência de serviços de urgência, visto que muitos profissionais de pronto-socorro não possuem familiaridade com o manejo da patologia.

A representação da fibromialgia em obras de ficção, como a trajetória da personagem Elisa na novela Quem Ama Cuida, auxilia na conscientização pública e pode acelerar diagnósticos precoces. A visibilidade da doença ajuda a combater o preconceito enfrentado por pacientes cuja dor não é visível em exames, reduzindo o sofrimento emocional que pode agravar o quadro. O objetivo terapêutico não é a cura, mas a remissão e a melhora da capacidade funcional, sendo que a maior parte dos pacientes atinge boa qualidade de vida ao aderir rigorosamente às medidas não farmacológicas e aos exercícios físicos.

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