Saúde

Novo medicamento reduz a perda de massa muscular em pacientes que tratam a obesidade

09 de Junho de 2026 às 12:31

O medicamento apitegromab preservou 1,9 kg a mais de massa magra em adultos que utilizaram Mounjaro durante seis meses, segundo estudo da revista Nature Medicine. A substância, disponível em ensaios clínicos via infusão intravenosa, bloqueia a proteína responsável pela degradação muscular

Novo medicamento reduz a perda de massa muscular em pacientes que tratam a obesidade
Getty Images / BBC

O medicamento apitegromab surge como uma alternativa para mitigar a perda de massa muscular em pacientes que utilizam fármacos da classe GLP-1, como Mounjaro, Wegovy e Ozempic, para o tratamento da obesidade. De acordo com estudo publicado na revista *Nature Medicine*, a substância atua no bloqueio de uma proteína responsável pela degradação muscular. Em testes realizados nos Estados Unidos com 102 adultos, predominantemente mulheres, a combinação do apitegromab com o Mounjaro durante seis meses resultou na preservação de cerca de 1,9 kg a mais de massa magra — um incremento de aproximadamente 55% em comparação ao grupo que utilizou apenas o medicamento para obesidade.

Os dados revelam que, no grupo que recebeu o placebo, a massa magra representou 30,2% da perda total de peso, enquanto no grupo tratado com apitegromab esse índice caiu para 14,6%. Essa intervenção visa combater um efeito comum em tratamentos de emagrecimento acelerado, nos quais cerca de um terço da redução de peso pode advir da perda muscular e não apenas da gordura. Esse processo, que gera a redução do volume de tecidos e a flacidez corporal, tornou-se conhecido popularmente como "bumbum de Ozempic", levando a um aumento na procura por consultas com cirurgiões plásticos nos Estados Unidos.

Atualmente, o apitegromab é administrado via infusão intravenosa e está disponível apenas em ensaios clínicos. A empresa desenvolvedora do fármaco, que também financiou a pesquisa, estuda a viabilidade de aplicação por meio de canetas injetoras para facilitar o uso pelo paciente. Além da obesidade, a substância está sendo testada para tratar a atrofia muscular espinhal. Apesar dos resultados, a professora Marie Spreckley ressalta que as evidências são iniciais e demandam estudos de longo prazo para verificar se a preservação muscular se traduz em melhorias reais de força e bem-estar. O professor Brendan Gabriel, da Universidade de Aberdeen, complementa que a terapia pode ser especialmente benéfica para pacientes com perda muscular mais acelerada, embora não seja indicada para todos.

É importante destacar que as "canetas emagrecedoras" atuam na redução do apetite e no prolongamento da saciedade, não sendo indicadas para fins estéticos ou perdas de peso rápidas. Como a massa muscular é de difícil recuperação, a orientação para usuários de GLP-1 inclui a manutenção de hábitos saudáveis. O serviço de saúde britânico (NHS) recomenda a prática de exercícios de força ao menos duas vezes por semana, que podem variar desde musculação e ioga até atividades cotidianas, como subir escadas, ciclismo, dança ou jardinagem pesada.

Complementarmente, a nutrição desempenha papel central na manutenção da massa magra. A recomendação é a ingestão de 20 a 40 gramas de proteína por refeição, ocupando cerca de um quarto do prato com alimentos como peixes, carnes, feijão, lentilha ou grão-de-bico. Para lanches, a indicação recai sobre ovos cozidos, nozes e iogurtes.

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