Saúde

OMS classifica epidemia de ebola como emergência de saúde pública internacional

18 de Maio de 2026 às 12:34

A OMS classificou a epidemia de ebola na província de Ituri como emergência de saúde pública internacional. O surto, causado pela cepa Bundibugyo, registra 80 mortes, oito casos confirmados e 246 suspeitos. A variante não possui vacina ou tratamento aprovado

OMS classifica epidemia de ebola como emergência de saúde pública internacional
JOSPIN MWISHA / AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a atual epidemia de ebola como uma emergência de saúde pública internacional. A decisão, anunciada pelo diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus no domingo (17), ocorre em meio ao avanço do vírus na província de Ituri, onde já foram registradas 80 mortes, oito casos confirmados e 246 suspeitos.

O surto teve início em Bunia, originado por um comerciante que transitava entre essa cidade e Goma. Após a morte do paciente, sua esposa transportou o corpo para Goma, na fronteira com Ruanda, e contraiu a doença. O contágio foi confirmado nesta segunda-feira (18) por exames laboratoriais realizados pelo Instituto de Pesquisas Biomédicas (INRB), em Kinshasa.

A propagação do vírus ocorreu de forma silenciosa durante o mês de abril, com quatro semanas de transmissão sem controle. O primeiro registro crítico aconteceu em 24 de abril, quando um enfermeiro em Bunia apresentou febre, vômitos e mal-estar intenso, vindo a óbito em 27 de abril sem que as autoridades sanitárias fossem notificadas. O transporte do corpo para a zona de saúde de Mongwalu, a 80 quilômetros de Bunia, ampliou o contágio durante o funeral. Em uma única família de Mongwalu, 15 pessoas morreram, incluindo cinco que haviam visitado Bunia para um encontro familiar.

A identificação da cepa enfrentou obstáculos técnicos. Embora alertas tenham surgido em redes sociais no dia 5 de maio, os testes iniciais em Bunia resultaram em negativo para a variante Zaire. O INRB esclareceu que a má qualidade das amostras enviadas de Ituri impossibilitou a análise correta. A situação foi revertida após a mudança do protocolo para o envio de sangue total, sem manipulação local. Em 15 de maio, após análises noturnas de 13 amostras recebidas no dia anterior, confirmou-se que a epidemia é causada pela cepa Bundibugyo.

Esta é apenas a terceira vez que a variante Bundibugyo provoca uma epidemia, com registros anteriores em Uganda (2007) e Isiro (2012). Diferente da cepa Zaire, responsável por 15 das 17 epidemias ocorridas na República Democrática do Congo desde 1976, a variante Bundibugyo não possui vacina ou tratamento aprovado.

A OMS apontou falhas graves nos protocolos de controle de infecções, citando a escassez de medicamentos, equipamentos e isolamento inadequado para os pacientes. A Médicos Sem Fronteiras (MSF) atua no controle do surto em Mongwalu, nos campos de refugiados de Fataki e em Bunia, cidade que já soma dez casos confirmados. A organização ressalta que a ausência de enterros seguros, realizados por equipes especializadas, transformou os corpos das vítimas em focos de contágio, dado que permanecem infectantes por vários dias.

Apesar da ausência de imunizantes específicos, o diretor do INRB, Jean-Jacques Muyembe, afirma que a interrupção da cadeia de transmissão por meio de medidas de saúde pública é suficiente para conter o vírus, baseando-se no histórico de enfrentamento de epidemias anteriores no país.

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