OMS declara emergência internacional por surto de variante rara de Ebola no Congo
A OMS declarou emergência internacional por um surto da variante Bundibugyo de Ebola na República Democrática do Congo, com 250 casos suspeitos e 80 mortes. A linhagem não possui vacinas ou tratamentos aprovados e já registrou um óbito e uma infecção em Uganda
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de interesse internacional devido a um surto de Ebola na República Democrática do Congo, embora o risco global permaneça baixo e a situação não indique o início de uma pandemia. O cenário atual registra 250 casos suspeitos e 80 mortes confirmadas no país africano, além de um óbito e uma infecção registrada em Uganda.
O controle da propagação é dificultado por uma guerra civil em curso, que já deslocou 250 mil pessoas. A mobilidade populacional, especialmente em cidades mineradoras, eleva o risco de disseminação entre comunidades e através de fronteiras, colocando países como Ruanda, Sudão do Sul e Uganda em estado de alerta devido às intensas trocas comerciais e de viagens.
A crise é agravada pelo fato de o surto ser causado pela espécie Bundibugyo, uma variante rara do vírus que já provocou apenas dois episódios anteriores, em 2007 e 2012, com letalidade de aproximadamente 30%. Diferente de outras linhagens de Ebola, a Bundibugyo não possui vacinas ou tratamentos medicamentosos aprovados, dispondo apenas de opções experimentais. A detecção do vírus também é complexa, pois testes convencionais falharam inicialmente, exigindo ferramentas laboratoriais sofisticadas para a confirmação.
O surto foi identificado com atraso: o primeiro caso, uma enfermeira, manifestou sintomas em 24 de abril, mas a confirmação levou três semanas. Esse intervalo permitiu a transmissão contínua do vírus, levando a OMS a alertar que a dimensão real da infecção pode ser superior aos dados reportados.
A doença, transmitida por fluidos corporais infectados após o surgimento dos sintomas, inicia-se com febre, dor de cabeça e fadiga. Com a progressão, evolui para vômitos, diarreia, falência de órgãos e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. O período de incubação varia entre dois e 21 dias. Na ausência de fármacos específicos para a variante Bundibugyo, a sobrevivência depende de cuidados otimizados, como nutrição, controle de fluidos e manejo da dor.
Para conter o avanço, as autoridades focam na identificação de infectados e no rastreamento de contatos. As medidas incluem a prevenção da transmissão em hospitais e centros de saúde, onde a carga viral é mais alta, e a garantia de sepultamentos seguros. Apesar da complexidade, que exige coordenação internacional, a República Democrática do Congo possui maior experiência e uma estrutura de resposta mais robusta do que a observada no surto de 2014-2016, quando quase 30 mil pessoas foram infectadas na África Ocidental. Naquela ocasião, o Brasil não registrou casos confirmados, apenas suspeitas descartadas.