OMS revela que a pandemia de Covid-19 causou 22,1 milhões de mortes no mundo
Relatório da Organização Mundial da Saúde de 15 de maio de 2026 aponta 22,1 milhões de mortes globais por Covid-19 entre 2020 e 2023. O Brasil registrou mais de 700 mil vítimas em um cenário de desinformação e negação de premissas científicas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou, em relatório apresentado no dia 15 de maio de 2026, que a pandemia de Covid-19 causou 22,1 milhões de mortes globalmente entre 2020 e 2023. O número é mais de três vezes superior aos 7 milhões de óbitos reportados anteriormente. O documento, intitulado “Estatísticas Mundiais de Saúde”, atribui essa diferença à subnotificação de casos e às mortes indiretas, ocorridas devido ao colapso dos sistemas de saúde e à dificuldade de acesso a tratamentos para outras doenças graves.
O cenário foi agravado por um fenômeno denominado "desinfodemia", termo cunhado pela Unesco em abril de 2020. A instituição definiu a desinformação sobre a Covid-19 como um elemento tóxico e mortal, capaz de gerar confusão sobre a ciência médica e impactar sociedades inteiras. A pesquisa da Unesco identificou nove eixos principais dessa disseminação: a origem e propagação do vírus, estatísticas enganosas, impactos econômicos, a descredibilização de veículos de notícias e jornalistas, questões de diagnóstico e tratamento, efeitos sociais e ambientais, a politização do tema, conteúdos voltados ao lucro fraudulento e a desinformação centrada em celebridades.
No Brasil, a desinfodemia manifestou-se em todos esses tópicos, influenciando a percepção pública sobre a gravidade da doença e levando ao descumprimento de normas sanitárias, como o isolamento social recomendado pela OMS. O país registrou mais de 700 mil vítimas, número que pode ser ainda maior diante das novas atualizações da OMS.
O agravamento da crise sanitária brasileira foi impulsionado por atitudes de negação a premissas científicas a partir de março de 2020, com respaldo direto do então presidente Jair Bolsonaro. O governo utilizou a voz de autoridade da Presidência da República para questionar o uso de máscaras, o distanciamento social e a prevenção de aglomerações. Esse movimento incluiu a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada, a alteração de cálculos nos balanços de óbitos e a afirmação, em transmissões ao vivo, de que a doença era apenas "uma gripezinha" e que a situação estava sob controle.
A estrutura de desinformação no Brasil, consolidada entre 2019 e 2023, operou como um ecossistema profissional de produção e disseminação de mentiras, com financiamento e diversos atores envolvidos. A estratégia, denominada "percurso desinformativo", utilizou canais como redes sociais de agentes públicos, peças publicitárias oficiais, declarações no "cercadinho" e, prioritariamente, as lives presidenciais para descredibilizar normas técnicas.
As conclusões da CPI da Covid-19, realizada pelo Congresso Nacional entre abril e outubro de 2021, confirmaram o amplo alcance dessas estratégias. A dinâmica de desinformação vinda da instância máxima de poder do Estado resultou em confusão e pânico, moldou a percepção da população, direcionou comportamentos contrários a recomendações médicas e comprometeu a confiança do público nas autoridades científicas e sanitárias.