Saúde

Origem do termo hantavírus está ligada a rio na Coreia e não ao hebraico

22 de Maio de 2026 às 06:18

Redes sociais propagam a falsa informação de que o termo "hantavírus" deriva do hebraico. A nomenclatura refere-se ao rio Hantan, onde o patógeno foi identificado em 1976 por Ho Wang Lee. Especialistas em língua hebraica refutam a conexão linguística alegada nas publicações

Origem do termo hantavírus está ligada a rio na Coreia e não ao hebraico
Reprodução

Publicações recentes em redes sociais como X, Facebook e Instagram propagam a informação falsa de que o termo "hantavírus" teria origem hebraica e que a palavra "hanta" significaria "mentira", "fraude" ou "golpe", sugerindo que a doença seria uma invenção.

Na realidade, a nomenclatura do vírus deriva de fatores geográficos e científicos. Em 1976, o médico sul-coreano Ho Wang Lee identificou o agente infeccioso em ratos do campo na região do rio Hantan. Após dois anos de testes, o virologista e sua equipe publicaram as descobertas, nomeando o patógeno como "Vírus Hantaan" em referência ao rio. A grafia com um "a" adicional foi adotada para aproximar a pronúncia estrangeira da fonética coreana. O rio Hantan possui relevância histórica por ter servido como rota de fuga da Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-1953), período em que os primeiros casos da enfermidade foram reconhecidos, sob a denominação de febre hemorrágica coreana.

Com a identificação de outros vírus do mesmo grupo em territórios da Ásia, África, Europa e América, a categoria foi generalizada como "hantavírus".

A análise linguística refuta a conexão com o idioma hebraico. Gabriel Steinberg, professor de Língua e Literatura Hebraica da Universidade de São Paulo (USP), e Dror Marko, professor da escola Hebraico sem Fronteiras, desmentiram as alegações. Embora existam capturas de tela de ferramentas de inteligência artificial sugerindo que "hanta" seria uma gíria em hebraico, o termo correto é "harta". Esta palavra, de origem árabe e utilizada em Israel, significa "papo furado", mas possui pronúncia distinta de "hanta".

Do ponto de vista clínico, o hantavírus é transmitido majoritariamente por roedores silvestres, podendo provocar febres hemorrágicas e complicações cardíacas e respiratórias. A transmissão entre seres humanos é rara e restrita à cepa andina, encontrada no Chile e na Argentina. Esta variante específica foi a causa do surto no cruzeiro HV Mondius, que resultou em três óbitos. No Brasil, embora a hantavirose seja registrada anualmente, não há casos relacionados à cepa Andes.

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