Saúde

Origem do termo hantavírus remete a rio na Coreia do Sul e não ao hebraico

22 de Maio de 2026 às 06:20

O termo hantavírus deriva do rio Hantan, na Coreia do Sul, onde o patógeno foi identificado em 1976. Especialistas em hebraico refutam publicações que associam a palavra a significados de mentira ou fraude. A doença é transmitida principalmente por roedores silvestres

Origem do termo hantavírus remete a rio na Coreia do Sul e não ao hebraico
Reprodução

Publicações que circulam no X, Facebook e Instagram afirmam que o termo "hantavírus" teria origem hebraica e que a palavra "hanta" significaria mentira ou fraude, sugerindo que a doença seria uma farsa. No entanto, a etimologia do nome não possui qualquer relação com o idioma hebraico.

A denominação do vírus remete ao rio Hantan, na Coreia do Sul, região onde o médico Ho Wang Lee identificou o agente infeccioso em ratos do campo em 1976. Após dois anos de testes, o virologista e sua equipe publicaram as descobertas, batizando o patógeno de "Vírus Hantaan". A grafia com um "a" adicional foi adotada para que a pronúncia de estrangeiros se aproximasse do idioma coreano. O rio escolhido para a homenagem possui valor simbólico, pois serviu como rota de fuga da Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953.

A doença, inicialmente chamada de febre hemorrágica coreana, teve seus primeiros casos reconhecidos mais de duas décadas antes da publicação dos pesquisadores. Com a identificação de outros vírus do mesmo grupo em territórios da Ásia, África, Europa e América, a categoria foi consolidada como "hantavírus".

Sobre a falsa correlação linguística, Gabriel Steinberg, professor de Língua e Literatura Hebraica da USP, e Dror Marko, professor da escola Hebraico sem Fronteiras, desmentiram as alegações. Embora existam capturas de tela de ferramentas de inteligência artificial sugerindo que "hanta" seria uma gíria em hebraico, a palavra correta é "harta". De origem árabe e utilizada em Israel, a gíria "harta" significa "papo furado", mas possui pronúncia distinta de "hanta".

O hantavírus é transmitido majoritariamente por roedores silvestres e pode provocar febres hemorrágicas, além de complicações cardíacas e respiratórias. A transmissão entre seres humanos é rara, ocorrendo apenas na cepa andina, encontrada no Chile e na Argentina. Esta variante específica foi a causa do surto no cruzeiro HV Mondius, que resultou em três mortes. No Brasil, embora existam registros anuais de hantavirose, nenhum caso está relacionado à cepa Andes.

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