Paciente com câncer de pâncreas apresenta remissão após tratamento com ablação por radiofrequência
Edgard de Luna, de 50 anos, apresenta remissão de um adenocarcinoma de pâncreas após quimioterapia, pancreatoduodenectomia e ablação por radiofrequência. O caso, conduzido por médicos da USP, tornou-se objeto de estudo científico devido ao desfecho atípico
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Um paciente de 50 anos, Edgard de Luna, apresenta remissão de um adenocarcinoma de pâncreas após oito anos de acompanhamento, tornando-se objeto de estudo para publicações científicas e congressos médicos devido à complexidade do caso e ao desfecho atípico.
O diagnóstico ocorreu aos 42 anos, após meses de sintomas gástricos confundidos com verminose e gastrite, e dores nas costas inicialmente atribuídas a contrações musculares. A detecção definitiva aconteceu quando a pressão do tumor sobre a artéria mesentérica causou sintomas que levaram a uma tomografia com contraste, permitindo a identificação da doença antes de atingir o estágio IV.
O adenocarcinoma de pâncreas é caracterizado por ser um dos tumores com pior prognóstico, pois a localização do órgão no abdômen dificulta a detecção precoce. Em casos avançados, a taxa de sobrevida em cinco anos é inferior a 10%, enquanto em diagnósticos precoces com cirurgia, varia entre 30% e 50%.
No caso de Edgard, o tumor era classificado como "borderline" para ressecabilidade, dada a proximidade com uma artéria. A estratégia terapêutica consistiu em 12 sessões de quimioterapia neoadjuvante para reduzir a massa tumoral. Após a redução, o paciente foi submetido a uma pancreatoduodenectomia, cirurgia complexa de nove horas que removeu o pâncreas e a alça do intestino delgado adjacente.
Um mês após a operação, a persistência de níveis elevados do marcador tumoral CA 19-9 levou a a realização de um PET scan, que revelou uma lesão de aproximadamente 1,3 centímetro em região próxima à cirurgia. Devido ao estado debilitado do organismo pós-operatório, a quimioterapia convencional foi descartada.
A oncologista Jamile Almeida e o radiologista intervencionista Ricardo Freitas, da Faculdade de Medicina da USP, optaram pela ablação por radiofrequência. O procedimento consistiu na inserção de uma agulha guiada por tomografia que, por meio de vibrações de alta frequência, gerou calor para desvitalizar as células tumorais. O tecido doente foi coagulado e posteriormente absorvido pelo organismo.
Embora os resultados sejam promissores, a ablação por radiofrequência não é um tratamento padrão para o câncer de pâncreas. Segundo a oncologista, a técnica exige critérios rigorosos de seleção, como a presença de lesão única, localização acessível e detecção precoce. Uma revisão publicada no World Journal of Gastrointestinal Oncology indica que a ausência de ensaios clínicos randomizados em larga escala limita a generalização do método.
Atualmente, Edgard não apresenta doença detectável. Ele mantém acompanhamento regular e faz uso de enzima digestiva para o pâncreas, além de apresentar neuropatia leve nas extremidades, sequela da quimioterapia. O caso segue sendo documentado, embora a medicina ainda não tenha identificado alterações moleculares específicas que expliquem a resposta excepcional ao tratamento.