Saúde

Paciente em Minas Gerais recebe doação de sangue raro transportada do Ceará por avião

09 de Outubro de 2026 às 06:06 3 min de leitura

Um paciente em Juiz de Fora (MG) recebeu uma transfusão de sangue raro vinda do Ceará após a identificação de apenas seis doadores compatíveis no Brasil. A bolsa foi transportada via aérea por meio de um novo acordo entre o Ministério da Saúde, Anac e companhias aéreas

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Um paciente internado em Juiz de Fora (MG), que passou por um transplante de rim e apresenta baixa hemoglobina, mobilizou uma operação logística interestadual para receber uma transfusão de sangue raro. O organismo do paciente produz anticorpos contra o Jsb, um marcador presente na superfície das hemácias que a grande maioria da população possui. Como ele não tem essa "etiqueta" sanguínea, seu sistema imunológico ataca quase todos os doadores, tornando compatível apenas o sangue de quem também não possua o marcador e seja do tipo O.

A incompatibilidade foi detectada durante os testes de segurança obrigatórios, nos quais o laboratório mistura o sangue do paciente com o do doador para verificar a ocorrência de aglutinação. Esse procedimento evita reações inflamatórias graves que podem surgir mesmo após a transfusão.

Logística de transporte e doação

Diante da raridade do caso, o Ministério da Saúde consultou o cadastro nacional de doadores raros, que conta com 2.032 pessoas, e identificou apenas seis indivíduos no Brasil com a compatibilidade necessária. Um doador residente no Ceará foi acionado na noite de quarta-feira (7) e realizou a doação na quinta-feira (8), no Hemocentro do Ceará. Para viabilizar a entrega, o centro de coleta acelerou os exames de triagem para doenças como hepatites B e C e HIV.

A bolsa de 450 mililitros foi transportada em uma caixa térmica com capacidade de refrigeração por 24 horas. O material viajou na cabine de um avião comercial, sob a responsabilidade do piloto, partindo do Ceará às 18h de quinta-feira com destino ao aeroporto de Confins, em Minas Gerais. A previsão de chegada era às 5h de sexta-feira (9), seguida de transporte terrestre imediato ao hospital para a transfusão.

Novo protocolo de transporte aéreo

Este caso integra as primeiras aplicações de um novo acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e companhias aéreas. O arranjo, que anteriormente era restrito ao transporte de órgãos como coração, pulmão, fígado e rim, está sendo formalizado para incluir bolsas de sangue raro na cabine dos aviões, sem custos para hospitais ou hemocentros.

Estratégias para agilizar a assistência

Para evitar a dependência de buscas emergenciais por doadores aptos — que devem respeitar intervalos de 60 dias para homens e 90 dias para mulheres entre as doações —, o Ministério da Saúde implementa duas novas frentes de atuação:

  • Congelamento de bolsas: Em negociação com a vigilância sanitária, a expectativa é que, a partir de janeiro, bolsas de sangue raro possam ser congeladas e armazenadas, eliminando a necessidade de localizar e convocar um doador a cada nova demanda.
  • Rede Mundial de Sangue Raro: O Brasil deve ingressar, ainda este mês, em uma rede internacional de cooperação. A adesão permitirá que o país solicite bolsas de outros países para pacientes sem doadores compatíveis em território nacional, além de oferecer auxílio a outras nações.

Como medida de precaução para o paciente de Juiz de Fora, outros dois doadores do cadastro nacional já foram acionados para eventuais novas transfusões.

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