Personal trainer descobre gravidez de cinco meses de aluna durante exercício de elevação pélvica
A influenciadora Cauany Rizzo, de 27 anos, descobriu estar grávida de cinco meses após a personal trainer notar alterações físicas durante treinos. A gestação foi precedida por diagnósticos de fibromialgia e anemia, além de a paciente acreditar ser infértil devido a ciclos irregulares
Uma influenciadora e empresária de marketing, Cauany Rizzo, de 27 anos, descobriu que estava grávida de aproximadamente cinco meses durante a prática de um exercício de elevação pélvica. A gestação foi identificada por sua personal trainer, Geisi Costa, que notou alterações físicas e comportamentais na aluna, apesar de a própria Cauany estar convencida de que era infértil.
A convicção da jovem baseava-se em um histórico de ciclos menstruais raros — ocorrendo no máximo duas vezes ao ano — e em diagnósticos médicos anteriores que apontavam ovários atrofiados. Além disso, ela já havia utilizado dispositivo intrauterino (DIU) hormonal e anticoncepcional injetável.
Diagnósticos equivocados e sintomas mascarados
Nos meses que antecederam a descoberta, Cauany apresentou diversos sintomas que interpretou como sinais de doenças. O quadro incluía:
- Dores migratórias (lombar, cervical, trapézio, cotovelo e pé);
- Sono excessivo, tontura, enjoo e irritabilidade;
- Esquecimento e sensibilidade nos seios.
A busca por respostas a levou a consultas com ortopedista, cirurgião plástico, fisioterapeuta, psicólogo, psiquiatra e ginecologista. Após ressonâncias magnéticas e exames de sangue, ela recebeu o diagnóstico de fibromialgia e anemia, passando a utilizar medicamentos antidepressivos (desvenlafaxina), analgésicos fortes e reposição de ferro. Segundo a paciente, nenhum dos profissionais solicitou o beta-HCG, exame de sangue que detecta a gonadotrofina coriônica humana, hormônio da gravidez.
A percepção dos sinais físicos
A personal trainer Geisi Costa, experiente no atendimento a gestantes, suspeitou da gravidez ao observar o inchaço facial, o aumento dos seios, a mudança no formato do quadril e a instabilidade emocional de Cauany. Diante da recusa da aluna em fazer novos testes — baseada em um teste de farmácia negativo realizado no início do processo —, a profissional alterou a rotina de treinos para focar em equilíbrio e fortalecimento lombar, condicionando o retorno às atividades intensas a um novo exame.
A ginecologista Ana Carolina Romanini, especialista pela Febrasgo, explica que as mudanças notadas pela personal são típicas da gestação. O aumento de até 50% no volume sanguíneo e a compressão da veia cava pelo útero em crescimento podem causar inchaços, inclusive no rosto. Já a progesterona promove a retenção de líquidos e sonolência.
Quanto à dor sentida por Cauany durante o exercício, a médica esclarece que, por volta da 20ª semana, o crescimento do útero distende os ligamentos redondos, podendo causar pontadas no baixo-ventre que irradiam para as pernas.
Fatores que dificultam a detecção
A ausência de menstruação regular eliminou o principal sinal de alerta para a gestação. A médica ressalta que mulheres com ciclos irregulares podem apresentar a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (antiga síndrome dos ovários policísticos), mas que a ovulação, mesmo que rara, é suficiente para a concepção. Sobre os ovários pequenos, Romanini esclarece que o uso de anticoncepcionais pode reduzir o tamanho do órgão, que retorna ao normal quando a ovulação é retomada.
Sobre o teste de farmácia negativo, a especialista explica que esses dispositivos possuem um limite de detecção do beta-HCG. Em gestações muito iniciais, a concentração hormonal pode estar abaixo desse limite, tornando o exame inconclusivo.
Riscos e cuidados no pré-natal tardio
A descoberta tardia impede a realização da ultrassonografia morfológica do primeiro trimestre (entre a 10ª e 14ª semana), essencial para medir a translucência nucal e avaliar riscos de síndrome de Down. Agora, aos cinco meses, o foco será um pré-natal rigoroso, incluindo a morfológica do segundo trimestre e um ecocardiograma fetal.
Cauany manifestou preocupação com o uso de antidepressivos e analgésicos durante a gestação. A ginecologista pondera que, embora fármacos sejam contraindicados por falta de testes em grávidas, isso não significa que haja dano comprovado. No campo da atividade física, a médica afirma que não há contraindicação para mulheres saudáveis, desde que sejam evitados exercícios que pressionem o abdômen ou que exijam a posição de barriga para baixo.