Pesquisadores afirmam que a maioria dos brasileiros consome proteínas acima das recomendações da OMS
Pesquisadores afirmam que a suplementação proteica é desnecessária para a maioria dos brasileiros, pois o consumo já supera as recomendações da OMS. O uso de whey protein é indicado apenas para grupos específicos, como atletas, idosos e gestantes. O consumo excessivo pode causar sobrecarga nos rins e fígado
A crença de que a suplementação proteica é indispensável para a saúde e o condicionamento físico é classificada por pesquisadores como um "mito do déficit proteico". Dados indicam que a maioria da população brasileira já consome proteínas em níveis que superam as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), tornando o uso de suplementos desnecessário para grande parte das pessoas.
Embora o whey protein — derivado do soro do leite — seja amplamente difundido em academias e redes sociais para o ganho de massa muscular, a ciência aponta que o principal gatilho para o aumento de força e volume muscular é o exercício físico, e não o nutriente isolado. A proteína atua apenas como um complemento ao treinamento de força.
Indicações específicas para o uso de suplementos
A suplementação é recomendada como ferramenta útil apenas em cenários onde a ingestão proteica diária não é atingida via alimentação. O uso do whey protein pode ser benéfico para:
- Atletas com alta carga de treinamento;
- Idosos que apresentam pouco apetite ou perda de massa muscular;
- Pessoas em processo de emagrecimento ou que utilizam medicamentos para perda de peso;
- Gestantes e lactantes, desde que haja orientação profissional.
Um exemplo dessa aplicação estratégica é o caso do maratonista Danrley Ferreira, que eleva a ingestão de proteínas apenas em períodos de intensificação dos treinos para acelerar a recuperação muscular.
Mitos sobre a ingestão de proteínas
Para adultos saudáveis com dieta equilibrada, o consumo extra de proteína oferece benefícios modestos. Existe um limite biológico para a absorção do nutriente, o que invalida a ideia de que quantidades maiores resultam em melhores ganhos.
Outro equívoco comum é a obrigatoriedade do consumo imediatamente após a atividade física. A chamada "janela anabólica" é ampla, sendo mais relevante a quantidade total de proteína ingerida ao longo de todo o dia do que o horário específico da ingestão.
Riscos do uso indiscriminado e contraindicações
A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que crianças e adolescentes saudáveis, em geral, não necessitam de suplementos proteicos. O consumo excessivo pode não gerar benefícios e, em indivíduos predispostos, causar sobrecarga nos rins e fígado. Além disso, há o risco associado a componentes de alimentos ultraprocessados, como conservantes e aromatizantes, presentes em diversos produtos.
Prioridade alimentar
Suplementos não devem substituir refeições completas. A recomendação é priorizar uma dieta variada que inclua frutas, legumes, verduras, cereais, leguminosas e fontes de proteínas animais ou vegetais. O foco excessivo em um único nutriente pode negligenciar a complexidade nutricional necessária para o organismo, que vai além da soma de proteínas, gorduras e carboidratos.