Saúde

Prática de esportes no ensino médio determina melhores condições de saúde na terceira idade

01 de Junho de 2026 às 09:06

A redução da atividade física global contribui para que a obesidade afete um em cada dez jovens. A Organização Mundial da Saúde recomenda 60 minutos diários de exercícios para melhorar a saúde futura e as funções cognitivas. Estratégias escolares e apoio familiar são apontados como formas de reverter o sedentarismo infantil

Prática de esportes no ensino médio determina melhores condições de saúde na terceira idade
Getty Images/BBC

A redução da atividade física entre crianças e adolescentes em escala global tem gerado preocupações sobre impactos prolongados na saúde, contribuindo para que a obesidade infantil afete atualmente uma em cada dez jovens. Esse cenário é impulsionado por fatores como o aumento do sedentarismo, o estresse, a baixa qualidade alimentar e a diminuição da prática esportiva.

A recomendação de saúde é que crianças realizem 60 minutos de atividade física diária, meta que muitos não atingem. A inatividade na infância tende a se refletir na vida adulta, enquanto jovens ativos têm maior probabilidade de manter hábitos saudáveis ao crescer. Um estudo longitudinal de 50 anos com 712 veteranos da Segunda Guerra Mundial demonstrou que a prática de esportes no ensino médio foi o fator determinante para melhores condições de saúde aos 70 anos, resultando em menor necessidade de consultas médicas e maior vitalidade na terceira idade.

Além dos benefícios a longo prazo, o exercício físico promove melhorias imediatas na composição corporal e nas funções cognitivas durante a adolescência. O condicionamento cardiorrespiratório impacta positivamente o cérebro, melhorando a precisão em tarefas complexas, o tempo de reação e o controle inibitório, essencial para a concentração e a resistência a impulsos. A gordura corporal excessiva, especialmente ao redor de órgãos vitais, pode causar inflamações que prejudicam a cognição.

Evidências concretas surgiram em um programa de nove meses de exercícios moderados a vigorosos, realizados cinco dias por semana após a escola, onde crianças com obesidade apresentaram avaliações cognitivas superiores às de quem não participou. Outro estudo em 30 escolas britânicas focou na redução do tempo sentadas, incentivando alunos a se movimentarem pela sala para responder perguntas. O resultado foi uma redução de 8% na relação cintura-quadril e um aumento de 10% na prática de esportes.

Para reverter o quadro de inatividade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e pesquisadores defendem a redução do tempo sedentário. Estratégias escolares, como a implementação de 60 minutos de movimento diário, podem aliviar a carga financeira e logística dos pais. Em Massachusetts, o aumento de oportunidades de movimento antes, durante e depois da escola, aliado ao acesso a alimentos saudáveis, reduziu o IMC de alunos do ensino fundamental, mesmo entre aqueles que não praticavam esportes estruturados.

A eficácia no combate à obesidade infantil depende de um conjunto de ações: a melhoria do ambiente alimentar, o estímulo à atividade física e a manutenção de regras sobre o tempo de exposição a telas, além do cuidado com o sono.

O apoio familiar é crucial, especialmente para meninas, que tendem a abandonar atividades físicas na adolescência. Filhas de pais que incentivam a prática esportiva e que também se mantêm ativos — compartilhando atividades simples, como passeios de bicicleta ou corridas — apresentam maior probabilidade de persistir nos exercícios.

A abordagem do movimento também deve considerar o aspecto psicológico. Atividades excessivamente estruturadas em escolas podem excluir algumas crianças e afetar a autoconfiança. A valorização de jogos não estruturados, o uso de playgrounds criativos com materiais como pneus e pallets, e o incentivo a brincadeiras livres, como subir em árvores ou jogar pega-pega, são caminhos para aumentar o bem-estar e a confiança dos jovens em relação ao próprio corpo.

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