Saúde

Prevalência de hipertensão no Brasil é superior à média global segundo relatório da OMS

30 de Julho de 2026 às 06:06

O Relatório Global sobre Hipertensão 2025 da OMS indica que 1,4 bilhão de adultos tinham a doença em 2024, sendo que apenas 23% mantinham a pressão arterial controlada. No Brasil, a prevalência é de 46%, afetando 55,7 milhões de pessoas, das quais 38% conseguem o controle da condição. A organização enfatiza a precisão do diagnóstico e o uso de aparelhos validados para prevenir infartos e AVCs

Prevalência de hipertensão no Brasil é superior à média global segundo relatório da OMS
Reprodução

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no Relatório Global sobre Hipertensão 2025, aponta que a base para a prevenção de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC) não reside em novas tecnologias, mas na precisão do diagnóstico e no controle rigoroso da pressão arterial. O documento revela que, em 2024, cerca de 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos conviviam com a doença — o dobro do registrado em 1990. Desse total, 600 milhões não haviam sido diagnosticados e apenas 23% (320 milhões) mantinham a condição sob controle.

No cenário brasileiro, a prevalência da hipertensão é de 46%, superando a média global de 34%. Isso significa que 55,7 milhões de adultos no país possuem a doença. Embora 71% tenham ciência do diagnóstico e 66% realizem algum tratamento, apenas 38% conseguem controlar a pressão, deixando 34,5 milhões de brasileiros com níveis acima da meta terapêutica.

Riscos da doença silenciosa e a importância da medição

A hipertensão caracteriza-se pela elevação persistente da pressão do sangue nas artérias e, frequentemente, não apresenta sintomas. Esse quadro silencioso força o coração a trabalhar com maior intensidade para vencer a resistência dos vasos, o que provoca o engrossamento do músculo cardíaco e o endurecimento dos vasos, lesionando órgãos como rins e cérebro.

A ausência de sintomas gera uma armadilha: pacientes que iniciam o uso de anti-hipertensivos podem acreditar que a doença está resolvida sem a necessidade de novas medições. No entanto, a falta de controle eleva as chances de insuficiência cardíaca, doença renal crônica, demência, infarto e AVC. O início precoce do tratamento, seja por mudanças no estilo de vida ou medicação, evita a necessidade de polifarmácia (uso de três ou quatro remédios) e previne lesões irreversíveis no sistema cardiovascular.

A precisão técnica como fator determinante

A eficácia do tratamento depende inteiramente de uma medida confiável. Erros na aferição podem levar a diagnósticos falsos, resultando em medicações desnecessárias que causam tonturas e quedas, ou, inversamente, criar uma falsa sensação de segurança, mantendo o paciente sem a proteção necessária.

Para evitar distorções, a OMS recomenda o uso de aparelhos automáticos clinicamente validados, que reduzem falhas humanas comuns na medição manual. É fundamental que o consumidor verifique o selo do Inmetro ou listas de sociedades médicas, pois a validação é específica para cada modelo e não para a marca. Dispositivos de pulso e smartwatches não devem ser utilizados para diagnóstico ou ajuste de doses, a menos que possuam validação específica para pressão arterial.

Critérios de diagnóstico e monitoramento

O diagnóstico de hipertensão arterial em adultos é confirmado quando a pressão sistólica é igual ou superior a 140 mmHg e/ou a diastólica é igual ou superior a 90 mmHg (o "14 por 9"), verificada em dois dias distintos. O Ministério da Saúde também orienta a repetição de medidas antes de fechar o quadro clínico.

Devido às variações diárias da pressão, a medição em consultório é considerada apenas um registro instantâneo. Para um panorama completo, médicos podem utilizar:

  • MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial): Acompanhamento por 24 horas, incluindo o período de sono.
  • MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial): Leituras feitas em casa durante vários dias.

Esses exames permitem identificar a "hipertensão do avental branco" (quando a pressão sobe apenas no consultório devido ao estresse) e a "hipertensão mascarada" (quando a pressão parece normal no médico, mas permanece alta em outros ambientes), esta última sendo a mais preocupante para a cardiologia.

Orientações para a aferição correta

Para garantir a precisão do resultado, o paciente deve seguir protocolos rigorosos:

  • Preparação: Não fumar, beber álcool, consumir café ou praticar exercícios 30 minutos antes; esvaziar a bexiga; permanecer sentado e em repouso por três a cinco minutos.
  • Posicionamento: Costas apoiadas na cadeira, pés no chão (sem cruzar as pernas) e braço na altura do coração.
  • Técnica: Braçadeira colocada diretamente sobre a pele (sem roupa), com tamanho adequado à circunferência do braço e sem conversar durante o processo.

Na primeira avaliação, a medição deve ser feita em ambos os braços. Qualquer alteração nos valores deve ser anotada e levada ao médico; jamais se deve alterar a dosagem de medicamentos com base em uma única leitura isolada.

Estratégias de rastreamento e impacto social

O rastreamento da pressão deve ser feito em qualquer adulto a partir dos 18 anos, podendo ocorrer em consultas de rotina ou vacinações. A vigilância deve ser intensificada em pessoas com obesidade, diabetes, doença renal, histórico familiar ou hipertensão gestacional.

O investimento em diagnóstico e controle é altamente rentável para a sociedade, com um retorno estimado em 18 vezes o valor aplicado. A urgência dessa abordagem justifica-se pelos dados de mortalidade: a pressão alta é responsável por 53% de todas as mortes cardiovasculares e 58% dos óbitos por AVC no mundo. O arsenal terapêutico, composto por cinco classes de medicamentos essenciais e de baixo custo, já está disponível em 93% dos países de alta renda; o desafio atual é a identificação precoce e o acompanhamento contínuo dos pacientes.

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