Qualidade do sono é fator determinante na prevenção de doenças degenerativas e demências
O XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia discutiu a importância do sono na manutenção da arquitetura cerebral. A fragmentação do repouso prejudica a remoção de resíduos neurotóxicos, elevando o risco de demências e da Doença de Alzheimer
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A preservação da qualidade do sono atua como um fator determinante na manutenção da arquitetura cerebral e na prevenção de patologias degenerativas. Durante o XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia (Neuro 2026), discutiu-se como o repouso noturno funciona como um mecanismo essencial para a renovação do organismo e a proteção das funções cognitivas.
Impacto nas doenças neurodegenerativas
O sono desempenha um papel ativo na modificação do curso de doenças que afetam o sistema nervoso. Quando a continuidade do descanso é interrompida — situação comum em casos de insônia ou na Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono — o cérebro enfrenta dificuldades para realizar a limpeza de resíduos prejudiciais.
A fragmentação do sono prejudica a remoção de agregados neurotóxicos, especificamente a beta-amiloide e a tau hiperfosforilada. A longo prazo, a falha nesse processo de "limpeza" cerebral eleva a probabilidade de desenvolvimento de demências, com destaque para a Doença de Alzheimer.
De acordo com o neurologista Raimundo Nonato Delgado Rodrigues, professor associado da Universidade de Brasília, a proteção do sono é, fundamentalmente, a proteção da estrutura do cérebro, relacionando a capacidade de memória à qualidade do repouso.