Saúde

Quase 50 mil pessoas aguardam na fila de transplante de órgãos no Brasil

31 de Outubro de 2026 às 09:01 4 min de leitura

Cerca de 49.695 pessoas aguardam por transplantes de órgãos no Brasil, com a maior demanda concentrada em rins (46.132 pacientes). O SUS gerencia a fila única, na qual homens representam 58% dos inscritos e São Paulo lidera a espera com 23.700 pessoas. Desde o início do ano, foram realizados 7,4 mil procedimentos

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Quase 50 mil pessoas aguardam na fila de transplante de órgãos no Brasil
Reprodução/Assessoria do SJEC

Atualmente, 49.695 pessoas aguardam na fila de transplante de órgãos no Brasil. Embora o país ocupe a quarta posição mundial em volume absoluto de procedimentos, a quantidade de cirurgias realizadas não é suficiente para suprir a demanda, que cresce diariamente devido a dificuldades na captação de doadores.

Desde o início deste ano, foram efetuados 7,4 mil transplantes, número que corresponde a quase 15% do total de pacientes na espera. Um exemplo recente da importância da doação ocorreu nesta semana, quando a família do goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, vítima de acidente de trânsito, autorizou a doação de seus órgãos. A decisão possibilitou a captação de rins, fígado, coração e córneas, podendo beneficiar ao menos seis pessoas.

Demanda por órgãos e perfil dos pacientes

A procura por rim é a mais expressiva, com 46.132 pessoas na lista. Esse órgão é frequentemente comprometido por doenças prevalentes no Brasil, como a pressão alta e o diabetes, que degradam a função renal progressivamente. Enquanto aguardam, esses pacientes podem recorrer à hemodiálise, o que permite um tempo de espera maior do que nos casos de transplantes de pulmão ou coração.

A distribuição da espera por órgão é a seguinte:

  • Rim: 46.132
  • Fígado: 2.377
  • Coração: 516
  • Transplante duplo (pâncreas e rim): 372
  • Pulmão: 265
  • Pâncreas: 29
  • Multivisceral: 4

O transplante multivisceral é a modalidade mais complexa e rara, consistindo na retirada e implante em bloco de diversos órgãos, como pâncreas, fígado, intestino e estômago, de um único doador.

Quanto ao perfil demográfico, os homens representam 58% da fila (29.015 pessoas) e as mulheres 42% (20.680). A faixa etária predominante é a de 50 a 64 anos, com 11.506 homens e 7.593 mulheres. A lista também contempla crianças, com 157 meninas e 149 meninos entre 11 e 17 anos, além de 30 bebês com menos de um ano de idade (15 de cada sexo).

Gestão da fila e critérios de prioridade

A lista de espera é única e gerida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), integrando pacientes de redes públicas e privadas. A ordem de prioridade é definida pelo tempo de inscrição e pela gravidade do quadro clínico. Pacientes em estado crítico podem ultrapassar aqueles que possuem estabilidade via hemodiálise, por exemplo.

A compatibilidade física também é determinante. No caso de coração e pulmão, o tamanho do órgão deve ser proporcional ao corpo do receptor, o que eleva a dificuldade de localização de um doador compatível.

Distribuição da espera por estado

A concentração de pacientes aguardando por órgãos varia significativamente entre as unidades federativas:

EstadoEsperaEstadoEspera
São Paulo23.700Goiás775
Minas Gerais4.424Pará720
Bahia2.792Piauí543
Paraná2.751Rio Grande do Norte373
Rio de Janeiro2.690Mato Grosso do Sul346
Pernambuco2.251Maranhão324
Ceará2.090Amazonas322
Rio Grande do Sul1.754Mato Grosso235
Espírito Santo1.170Paraíba158
Distrito Federal1.072Acre90
Santa Catarina989Alagoas83
Sergipe40
Rondônia3

Regras para doação e prazos técnicos

A doação de órgãos sólidos (coração, fígado e rim) exige a constatação de morte encefálica. Já a córnea pode ser doada após a parada cardíaca. Existem também as doações em vida, permitidas para um dos rins, parte do fígado ou medula óssea.

Condições como hepatites B e C, hipertensão, diabetes e doença de Chagas não impedem a doação, pois os órgãos passam por avaliação prévia. Órgãos de doadores com hepatite, inclusive, podem ser destinados a receptores que já possuam a patologia. As contraindicações principais são câncer, HIV e infecções graves no órgão a ser doado.

O tempo máximo entre a retirada e o transplante, conhecido como tempo de isquemia fria, varia conforme o órgão:

  • Coração e pulmão: 6 a 8 horas.
  • Fígado: até 12 horas.
  • Rim: até 24 horas.

Para se declarar doador, o cidadão pode registrar a intenção no documento de identidade ou emitir a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) via internet com validação em cartório. Independentemente do registro, a autorização final da família é indispensável para a realização do procedimento.

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