Quase 50 mil pessoas aguardam na fila de transplante de órgãos no Brasil
Cerca de 49.695 pessoas aguardam por transplantes de órgãos no Brasil, com a maior demanda concentrada em rins (46.132 pacientes). O SUS gerencia a fila única, na qual homens representam 58% dos inscritos e São Paulo lidera a espera com 23.700 pessoas. Desde o início do ano, foram realizados 7,4 mil procedimentos
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Atualmente, 49.695 pessoas aguardam na fila de transplante de órgãos no Brasil. Embora o país ocupe a quarta posição mundial em volume absoluto de procedimentos, a quantidade de cirurgias realizadas não é suficiente para suprir a demanda, que cresce diariamente devido a dificuldades na captação de doadores.
Desde o início deste ano, foram efetuados 7,4 mil transplantes, número que corresponde a quase 15% do total de pacientes na espera. Um exemplo recente da importância da doação ocorreu nesta semana, quando a família do goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, vítima de acidente de trânsito, autorizou a doação de seus órgãos. A decisão possibilitou a captação de rins, fígado, coração e córneas, podendo beneficiar ao menos seis pessoas.
Demanda por órgãos e perfil dos pacientes
A procura por rim é a mais expressiva, com 46.132 pessoas na lista. Esse órgão é frequentemente comprometido por doenças prevalentes no Brasil, como a pressão alta e o diabetes, que degradam a função renal progressivamente. Enquanto aguardam, esses pacientes podem recorrer à hemodiálise, o que permite um tempo de espera maior do que nos casos de transplantes de pulmão ou coração.
A distribuição da espera por órgão é a seguinte:
- Rim: 46.132
- Fígado: 2.377
- Coração: 516
- Transplante duplo (pâncreas e rim): 372
- Pulmão: 265
- Pâncreas: 29
- Multivisceral: 4
O transplante multivisceral é a modalidade mais complexa e rara, consistindo na retirada e implante em bloco de diversos órgãos, como pâncreas, fígado, intestino e estômago, de um único doador.
Quanto ao perfil demográfico, os homens representam 58% da fila (29.015 pessoas) e as mulheres 42% (20.680). A faixa etária predominante é a de 50 a 64 anos, com 11.506 homens e 7.593 mulheres. A lista também contempla crianças, com 157 meninas e 149 meninos entre 11 e 17 anos, além de 30 bebês com menos de um ano de idade (15 de cada sexo).
Gestão da fila e critérios de prioridade
A lista de espera é única e gerida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), integrando pacientes de redes públicas e privadas. A ordem de prioridade é definida pelo tempo de inscrição e pela gravidade do quadro clínico. Pacientes em estado crítico podem ultrapassar aqueles que possuem estabilidade via hemodiálise, por exemplo.
A compatibilidade física também é determinante. No caso de coração e pulmão, o tamanho do órgão deve ser proporcional ao corpo do receptor, o que eleva a dificuldade de localização de um doador compatível.
Distribuição da espera por estado
A concentração de pacientes aguardando por órgãos varia significativamente entre as unidades federativas:
| Estado | Espera | Estado | Espera |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 23.700 | Goiás | 775 |
| Minas Gerais | 4.424 | Pará | 720 |
| Bahia | 2.792 | Piauí | 543 |
| Paraná | 2.751 | Rio Grande do Norte | 373 |
| Rio de Janeiro | 2.690 | Mato Grosso do Sul | 346 |
| Pernambuco | 2.251 | Maranhão | 324 |
| Ceará | 2.090 | Amazonas | 322 |
| Rio Grande do Sul | 1.754 | Mato Grosso | 235 |
| Espírito Santo | 1.170 | Paraíba | 158 |
| Distrito Federal | 1.072 | Acre | 90 |
| Santa Catarina | 989 | Alagoas | 83 |
| Sergipe | 40 | ||
| Rondônia | 3 |
Regras para doação e prazos técnicos
A doação de órgãos sólidos (coração, fígado e rim) exige a constatação de morte encefálica. Já a córnea pode ser doada após a parada cardíaca. Existem também as doações em vida, permitidas para um dos rins, parte do fígado ou medula óssea.
Condições como hepatites B e C, hipertensão, diabetes e doença de Chagas não impedem a doação, pois os órgãos passam por avaliação prévia. Órgãos de doadores com hepatite, inclusive, podem ser destinados a receptores que já possuam a patologia. As contraindicações principais são câncer, HIV e infecções graves no órgão a ser doado.
O tempo máximo entre a retirada e o transplante, conhecido como tempo de isquemia fria, varia conforme o órgão:
- Coração e pulmão: 6 a 8 horas.
- Fígado: até 12 horas.
- Rim: até 24 horas.
Para se declarar doador, o cidadão pode registrar a intenção no documento de identidade ou emitir a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) via internet com validação em cartório. Independentemente do registro, a autorização final da família é indispensável para a realização do procedimento.