Relatório da OMS indica que 66% dos jovens europeus sofreram abusos ou negligência na infância
Relatório da OMS indica que 66% de jovens entre 18 e 30 anos na União Europeia, Islândia e Noruega sofreram abusos, negligência ou violência doméstica na infância. A pesquisa com 26 mil pessoas revela que 20% vivenciaram quatro ou mais experiências adversas

Cerca de 66% dos jovens europeus relatam ter enfrentado situações de violência doméstica, negligência ou abusos durante a infância. Os dados integram um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) baseado em entrevistas com 26 mil pessoas, na faixa etária entre 18 e 30 anos, residentes na União Europeia, Islândia e Noruega.
O levantamento, realizado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, aponta que 20% dos participantes vivenciaram quatro ou mais tipos de experiências adversas. Esse grupo específico apresenta maior propensão a sofrer e a praticar violência, tendo sido frequentemente vítima de ciberbullying na infância.
Impactos sociais e econômicos
A exposição a traumas precoces gera reflexos que se estendem à vida adulta, elevando as chances de desemprego, abandono escolar ou de a pessoa integrar núcleos familiares com baixa renda. No campo psicossocial, observa-se uma redução na confiança interpessoal e um sentimento fragilizado de pertencimento à comunidade.
Para Natasha Azzopardi-Muscat, diretora de Sistemas de Saúde da OMS Europa, o impacto de crescer em lares em crise ou ambientes violentos reflete-se diretamente no desempenho escolar, nas relações pessoais e na inserção no mercado de trabalho. A diretora enfatiza que a questão extrapola a saúde mental, configurando-se como um desafio socioeconômico que demanda ações multidisciplinares.
Medidas de intervenção
A OMS defende a implementação de políticas que combatam as causas estruturais dessas adversidades, com foco em:
- Erradicação da pobreza;
- Combate à exclusão social;
- Redução da violência comunitária.
A organização recomenda que os setores de justiça, educação, apoio social e saúde estejam capacitados para identificar e acolher as vítimas. O objetivo é interromper a reprodução desses ciclos de violência para evitar que sejam transmitidos às próximas gerações.