São Paulo instala máquinas automáticas em estações de metrô para distribuição de medicamentos contra o HIV
São Paulo instalou máquinas automáticas de distribuição de PrEP e PEP nas estações Brás, Consolação, Luz, Santana e Vila Sônia. O serviço, disponível para residentes acima de 15 anos via aplicativo e-saúdeSP, registrou 15 mil dispensações desde junho de 2024
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A cidade de São Paulo implementou um sistema inovador de distribuição de medicamentos para a prevenção do HIV por meio de máquinas automáticas instaladas em estações de metrô. A iniciativa, coordenada pelo Programa Municipal de IST/Aids da prefeitura, visa integrar os serviços de saúde à rotina dos cidadãos, eliminando a necessidade de deslocamento exclusivo até unidades básicas de saúde.
As máquinas estão disponíveis nas estações Brás, Consolação, Luz, Santana e Vila Sônia. Por meio desse sistema, os usuários podem retirar até três frascos com 30 comprimidos cada, quantidade suficiente para diversos meses de tratamento.
Funcionamento da PrEP e da PEP
O sistema distribui a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP), compostas por antirretrovirais que reduzem em até 99% o risco de infecção pelo vírus.
- PrEP: Pode ser utilizada diariamente ou sob demanda, antes de relações sexuais com risco de exposição.
- PEP: Indicada por um período de 28 dias para quem já teve exposição ao vírus e precisa evitar que a infecção se estabeleça.
É importante ressaltar que esses medicamentos previnem especificamente o HIV, não oferecendo proteção contra outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, HPV, clamídia e gonorreia. Por isso, o uso do preservativo continua sendo indispensável.
Impacto nos índices de infecção e acesso
Desde a instalação da primeira máquina, em junho de 2024, foram registradas cerca de 15 mil dispensações no metrô. No total, 85 mil pessoas já utilizaram esses medicamentos na capital paulista, seja via máquinas ou postos de saúde. O número de adeptos cresceu 15% no último ano.
A cidade apresenta uma tendência de queda nos novos casos de HIV há dez anos, com uma redução acumulada de 53% desde 2016. Embora a queda seja resultado de um conjunto de políticas, a introdução da PrEP na rede pública em 2018 e a posterior automação da entrega coincidiram com a aceleração desse ritmo. Um dado relevante é que jovens entre 15 e 29 anos representam quase metade dos usuários das máquinas, mesma faixa etária que teve a maior queda de infecções na última década.
Critérios para obtenção do medicamento
O serviço é destinado a qualquer residente de São Paulo com mais de 15 anos e peso mínimo de 35 quilos, sendo prioritariamente voltado a grupos com maior vulnerabilidade, como pessoas trans, trabalhadores do sexo, homens que fazem sexo com homens e indivíduos com parceiros que vivem com HIV.
Para retirar a medicação, o fluxo é digital:
- Download do aplicativo e-saúdeSP.
- Apresentação de exame negativo para HIV (via laboratório ou testes rápidos do SUS).
- Realização de consulta virtual para orientações.
- Geração de um QR Code para liberação do medicamento na máquina.
Barreiras sociais e limitações do modelo
A estratégia é vista como fundamental para superar o estigma e o preconceito ligados ao HIV, que muitas vezes afastam as pessoas de unidades de saúde por medo de julgamentos sobre sua vida sexual. Além disso, resolve problemas logísticos de distância e horários de funcionamento dos postos.
Contudo, médicos alertam que a automação não deve substituir totalmente o acompanhamento clínico. A retirada via máquina exige apenas o teste de HIV, o que pode levar o paciente a negligenciar exames para outras ISTs e o monitoramento da função renal, já que um dos componentes da PrEP pode afetar a filtragem do sangue pelos rins.
Perspectiva nacional e custos
Apesar do reconhecimento internacional e da repercussão em veículos estrangeiros, o Ministério da Saúde informou que não pretende expandir o modelo para outras cidades brasileiras. A justificativa é a insustentabilidade financeira para o SUS, visto que cada máquina custa aproximadamente R$ 19,3 mil mensais, conforme contrato recente da prefeitura de São Paulo.
O governo federal argumenta que a estratégia nacional já é eficaz. O Brasil apresenta um índice de 5,2 usuários de PrEP para cada novo diagnóstico de HIV, superando a referência internacional mínima de três.