Saúde

Sargento-mor morre por doença da descompressão durante buscas por italianos desaparecidos nas Maldivas

19 de Maio de 2026 às 12:47

O sargento-mor Mohamed Mahudhee morreu com doença da descompressão durante buscas por quatro italianos em cavernas submarinas no Atol de Vaavu, nas Maldivas. A operação envolvia mergulhos em profundidades próximas a 50 metros

Sargento-mor morre por doença da descompressão durante buscas por italianos desaparecidos nas Maldivas
Reprodução/@MMuizzu via X

A morte do sargento-mor Mohamed Mahudhee, ocorrida durante as buscas por quatro italianos desaparecidos em cavernas submarinas no Atol de Vaavu, nas Maldivas, evidencia os riscos letais da doença da descompressão. O militar, experiente em descidas de até 70 metros, foi vítima da condição enquanto atuava em uma operação classificada como de alto risco pelas autoridades locais, já que os desaparecidos haviam mergulhado em profundidades próximas aos 50 metros, superando o limite recreativo de 40 metros.

A doença da descompressão acontece quando a subida à superfície é realizada de forma acelerada, impedindo que o organismo elimine os gases acumulados durante a imersão. Sob a pressão elevada do fundo do mar — que aumenta uma atmosfera a cada dez metros de profundidade —, o nitrogênio presente no ar respirado é absorvido em grandes quantidades pelo sangue, tecidos, músculos, gordura e cérebro.

Para que esse nitrogênio seja expelido, o sangue precisa circular pelos pulmões e liberar o gás através dos alvéolos pulmonares durante a respiração. Quando a subida é brusca, o sangue não completa os ciclos necessários pelos pulmões antes da queda da pressão externa. Nesse cenário, o nitrogênio deixa de estar dissolvido e forma microbolhas nos vasos sanguíneos, processo semelhante ao que ocorre ao abrir uma garrafa de refrigerante.

Essas bolhas atuam como coágulos de ar que bloqueiam artérias e vasos, impedindo a oxigenação de órgãos e tecidos. Dependendo da região atingida, as consequências variam: nos pulmões, causam falta de ar severa; no cérebro, provocam perda de consciência e alterações neurológicas; e no coração, podem levar a parada cardiorrespiratória. O neurocirurgião Helder Picarelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, aponta que a condição pode resultar em infarto, AVC, lesões na medula espinhal — podendo causar paraplegia — e destruição dos alvéolos pulmonares.

Em quadros mais leves, os sintomas incluem fadiga, tontura, dormência, manchas avermelhadas na pele e dores nas articulações, que podem se manifestar minutos ou horas após o mergulho. O tratamento consiste no uso de câmaras hiperbáricas, que submetem o paciente a pressões elevadas controladas para reduzir as bolhas e eliminar o nitrogênio gradualmente.

Para mitigar esses riscos, mergulhos técnicos adotam protocolos rígidos de paradas de descompressão, que são pausas obrigatórias em profundidades específicas para permitir a eliminação segura dos gases. No entanto, fatores como a velocidade de subida, o esforço físico, o tempo de permanência submerso e a profundidade podem elevar a vulnerabilidade à doença, mesmo para profissionais treinados.

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