SUS implementa vacina pneumocócica 20-valente para ampliar a proteção de crianças e grupos vulneráveis
O SUS implementa a vacina pneumocócica 20-valente para substituir a versão 10-valente no Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante amplia a cobertura para 20 sorotipos da bactéria, com previsão de vacinar 2,4 milhões de bebês anualmente. A medida abrange crianças menores de 5 anos e pessoas com condições clínicas de risco
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O Sistema Único de Saúde (SUS) inicia este mês a implementação da vacina pneumocócica 20-valente (VPC20) no Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante substitui a versão 10-valente, utilizada na rede pública até o mês passado, e amplia a proteção contra doenças graves causadas pela bactéria *Streptococcus pneumoniae*, como meningite, pneumonia e infecções invasivas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, detalha nesta quarta-feira (3) as diretrizes para a aplicação da vacina em todo o território nacional.
A nova composição dobra a cobertura ao abranger 20 sorotipos da bactéria, elevando de 3% para 77% a proteção contra as variantes mais associadas a quadros severos em crianças menores de 5 anos. A VPC20, que já estava disponível na rede particular desde junho de 2024, passa a integrar o calendário infantil do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE). A estimativa é de que 2,4 milhões de bebês sejam imunizados anualmente.
De acordo com a Pfizer, fabricante do imunizante, a atualização inclui os sorotipos 19A e 3, os mais circulantes no Brasil e vinculados à maior parte dos casos de doença pneumocócica invasiva. A vacina contempla ainda cinco sorotipos exclusivos para quadros graves, inexistentes em outras vacinas pneumocócicas conjugadas no país, e outros oito tipos relacionados a surtos na infância, infecções invasivas e maior resistência a antibióticos.
A medida ocorre diante do crescimento dos casos de meningite pneumocócica no Brasil e do impacto da doença no sistema de saúde, com altos índices de hospitalizações e custos. A bactéria pneumococo pode habitar a nasofaringe sem apresentar sintomas, o que facilita a transmissão, especialmente entre crianças. Embora atinja qualquer faixa etária, idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis.
A expansão do acesso beneficia também indivíduos com condições clínicas que elevam o risco de complicações. Além de transplantados, pacientes oncológicos e pessoas que vivem com HIV, a imunização agora abrange portadores de diabetes, asma grave e doenças renais, hepáticas, pulmonares e cardiovasculares.
O esquema vacinal para bebês e crianças menores de 5 anos é definido conforme a idade e a condição clínica. Para adultos e crianças acima de 5 anos, a VPC20 será administrada em dose única, com exceção de casos específicos, como pacientes em terapia CAR-T ou submetidos a transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH). A simplificação do esquema visa facilitar a adesão ao processo de vacinação para reduzir óbitos e internações prolongadas em populações vulneráveis.