Saúde

Taxa de sobrevida em cinco anos para tumores nos Estados Unidos sobe para 71%

13 de Outubro de 2026 às 06:01 4 min de leitura

A taxa de sobrevida em cinco anos para tumores nos Estados Unidos subiu de 49% para 71% entre os períodos de 1975-1979 e 2016-2022, segundo a AACR. O avanço foi maior na leucemia mieloide crônica, que atingiu 71%, enquanto o câncer de pâncreas chegou a 14%. A sobrevida geral em pacientes até 19 anos aumentou de 63% para 86%

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Taxa de sobrevida em cinco anos para tumores nos Estados Unidos sobe para 71%
AACR/Arte g1

A taxa de sobrevida em cinco anos para todos os tipos de tumores nos Estados Unidos saltou de 49% para 71% nos últimos 50 anos. Os dados, detalhados no Relatório de Progresso contra o Câncer 2026 da Associação Americana de Pesquisa em Câncer (AACR), comparam pacientes diagnosticados entre 1975-1979 e o período de 2016-2022.

A evolução, porém, não é uniforme. Enquanto algumas patologias apresentaram saltos drásticos, outras resistem aos avanços terapêuticos, evidenciando que o câncer não é uma doença única, mas um conjunto de subtipos com comportamentos biológicos distintos.

A ascensão da medicina de precisão

O avanço mais expressivo ocorreu na leucemia mieloide crônica, onde a sobrevida em cinco anos subiu de 21% para 71%. Esse resultado é fruto da identificação da falha genética da doença, que permitiu a criação do imatinibe em 2001. O medicamento, um exemplo de terapia-alvo, bloqueia a proteína que multiplica as células doentes, permitindo que muitos pacientes tenham uma expectativa de vida similar à da população geral.

Outros progressos notáveis incluem:

  • Mieloma múltiplo: Evoluiu com a introdução de transplantes de medula nos anos 1990, novos fármacos nos anos 2000 e, recentemente, a imunoterapia com células CAR-T e anticorpos biespecíficos.
  • Câncer de pulmão: A sobrevida subiu de 13% para 29%, impulsionada pela redução do tabagismo (de 42,4% em 1965 para 9,9% atualmente nos EUA), diagnósticos precoces e novas terapias.
  • Metástases: A sobrevida geral para casos onde o câncer se espalhou para outros órgãos subiu de 17% para 36%.

A diferença de sucesso entre os tumores reside na medicina de precisão. Enquanto a quimioterapia ataca qualquer célula em multiplicação, as terapias-alvo focam em falhas específicas do tumor e a imunoterapia utiliza o sistema de defesa do próprio paciente. Doenças com falhas genéticas únicas e conhecidas respondem mais rápido do que tumores com múltiplas alterações, como os do aparelho digestivo.

Resistências e desafios no diagnóstico

No extremo oposto, tumores do pâncreas, fígado, esôfago e estômago apresentam ganhos mais lentos. O câncer de pâncreas, por exemplo, teve sua sobrevida elevada de 3% para 14%. A dificuldade reside na ausência de exames de rastreamento eficazes e em sintomas vagos, o que faz com que 60% a 70% dos casos de pâncreas sejam descobertos já em estágio de metástase.

Além da biologia agressiva, a viabilidade de tratamentos sob medida é menor nesses casos: enquanto 30% a 40% dos pacientes com câncer de pulmão possuem alterações que permitem terapia dirigida, no aparelho digestivo esse índice cai para 10% a 20%.

Avanços na oncologia pediátrica

Entre crianças e adolescentes (até 19 anos), a sobrevida geral subiu de 63% para 86%. Destaques positivos são a leucemia linfoide (de 57% para 90%) e o linfoma de Hodgkin (98%), onde a cura é possível. Esse salto é atribuído ao modelo de pesquisa do Children’s Oncology Group, que centralizou o tratamento de grande parte dos pacientes americanos. Contudo, tumores ósseos, musculares e o glioma difuso de linha média (com apenas 3% de sobrevida) continuam sendo desafios letais.

O cenário no Brasil e o acesso à saúde

Os dados da AACR não são aplicáveis ao Brasil devido à falta de um registro populacional comparável. No país, o acesso às inovações é desigual. Embora o SUS ofereça o imatinibe há duas décadas, tratamentos modernos para mieloma e a tecnologia CAR-T estão concentrados na saúde suplementar ou dependem de judicialização.

O gargalo brasileiro manifesta-se principalmente após o diagnóstico. Apesar de melhorias no rastreamento de câncer de mama, colo do útero e vacinação contra HPV, há atrasos críticos em biópsias e exames complementares. A Lei dos 60 dias, que prevê o início do tratamento em até dois meses, enfrenta dificuldades de implementação, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

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