Técnica cirúrgica holandesa preserva a função sexual de mulheres com câncer de vulva
Médicos do centro Radboudumc, na Holanda, criaram uma técnica cirúrgica para preservar a função sexual do clitóris em pacientes com câncer de vulva. O método, que reposiciona nervos intactos, devolveu o orgasmo a 90% de 23 mulheres testadas. O procedimento é indicado para 25% dos casos anuais da doença no país
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Médicos do centro médico universitário Radboudumc, na Holanda, desenvolveram uma técnica cirúrgica inédita para preservar a função sexual do clitóris em mulheres diagnosticadas com câncer de vulva. O procedimento visa garantir a manutenção do orgasmo e da sensibilidade em pacientes que necessitam de intervenções na região genital externa.
Nos primeiros testes, a nova abordagem devolveu o orgasmo clitoriano a 90% das 23 pacientes iniciais, com a recuperação ocorrendo, geralmente, entre três e seis meses após a cirurgia.
A nova abordagem cirúrgica
Diferente de métodos anteriores, a técnica não reconstrói o órgão integralmente. Após a remoção do tumor, a equipe médica reposiciona os nervos que permaneceram intactos para criar uma nova ponta do clitóris, preservando as terminações nervosas responsáveis pelo prazer sexual.
Anteriormente, quando a neoplasia atingia o clitóris ou a área adjacente, a conduta padrão consistia na retirada de parte do órgão e no fechamento da ferida. Esse processo resultava no desaparecimento do clitóris sob a pele, negligenciando a qualidade de vida e a possibilidade de retorno da função sexual da paciente.
Aplicação e alcance do método
O câncer de vulva atinge anualmente cerca de 450 mulheres na Holanda. A nova técnica é indicada para aproximadamente 25% desses casos, que são as situações em que o tumor se localiza no clitóris ou em seu entorno.
Atualmente, o método é aplicado exclusivamente em território holandês, dentro de um programa de pesquisa voltado para casos de câncer. No entanto, os pesquisadores indicam que a técnica pode ser estendida a mulheres vítimas de mutilação genital, prática que remove total ou parcialmente o órgão.
Expansão e monitoramento
Para viabilizar a disseminação do procedimento, o Radboudumc e outros oito hospitais holandeses especializados no tratamento de câncer de vulva integram um projeto de treinamento para cirurgiões plásticos e oncologistas ginecológicos.
Com apoio financeiro da Sociedade Holandesa de Combate ao Câncer, as pacientes serão monitoradas para validar a melhora na qualidade de vida e na função sexual, permitindo a incorporação segura do método à rotina clínica. O objetivo final é a exportação da técnica para outros países, ampliando o acesso ao tratamento.