Saúde

Uso de dispositivos eletrônicos e má postura aumentam a incidência de dores no pescoço

11 de Outubro de 2026 às 15:01 3 min de leitura

A inclinação da cabeça ao usar dispositivos eletrônicos aumenta a carga sobre a coluna cervical, contribuindo para que entre 60% e 80% da população mundial sinta dores no pescoço. Dados de 2025 indicam ainda a alta prevalência de escoliose em jovens, associada ao uso de telas e má postura

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Uso de dispositivos eletrônicos e má postura aumentam a incidência de dores no pescoço
BBC / Getty Imagens

A distribuição do peso da cabeça humana sobre a coluna cervical sofre alterações drásticas dependendo da postura. Em posição ereta, a carga mecânica é de aproximadamente 5,4 kg, um valor considerado seguro. No entanto, a tendência global de manter o corpo curvado para a frente, especialmente durante o uso de smartphones e laptops, altera essa dinâmica e sobrecarrega a região.

O impacto da tecnologia e do envelhecimento

A combinação entre o desgaste natural do sistema musculoesquelético — que reduz a elasticidade e aumenta a rigidez dos tecidos com a idade — e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos tem agravado a saúde cervical. A postura característica de inclinar o pescoço para a frente, projetando o queixo e curvando a parte superior das costas, gera pressão excessiva sobre as articulações das vértebras e a musculatura.

Dados do relatório Global Burden of Disease 2021 indicam que entre 60% e 80% da população mundial terá dores no pescoço ao longo da vida, com quase metade desses casos ocorrendo de forma recorrente. O quadro geralmente evolui de uma rigidez inicial e perda de mobilidade para desconfortos persistentes.

Aumento de casos em jovens

Problemas na parte superior da coluna estão surgindo cada vez mais cedo. Uma meta-análise de dados globais publicada em 2025 revelou um crescimento constante na prevalência de escoliose entre crianças e adolescentes nas últimas três décadas.

Embora a causa principal da curvatura anormal da coluna seja frequentemente desconhecida, o estudo associa a condição a fatores como:

  • Uso excessivo de telas;
  • Tempo prolongado na posição sentada;
  • Má postura;
  • Histórico familiar, sexo e baixo índice de massa corporal (IMC).

Orientações para a saúde cervical

Para mitigar esses riscos, a manutenção de uma postura neutra é fundamental. O ideal é manter o pescoço alinhado à coluna, com ombros e costas relaxados, evitando projetar o queixo para a frente ou inclinar a cabeça por longos períodos, especialmente ao dirigir, assistir televisão ou trabalhar no computador.

Historicamente, a pressão cervical era menor porque estudiosos utilizavam mesas inclinadas a 45 graus para ler e escrever. A transição para mesas planas, impulsionada por máquinas de escrever e computadores nos últimos 100 anos, contribuiu para o surgimento de novas patologias cervicais.

Exercícios de mobilidade e fortalecimento

Para quem já apresenta dores, o serviço de saúde pública do Reino Unido (NHS) recomenda a recuperação da mobilidade através de movimentos simples: sentado ou deitado, girar a cabeça para a direita e esquerda, mantendo a posição por dois segundos em cada lado, repetindo o processo duas ou três vezes ao longo do dia.

Para corrigir a postura do "queixo projetado", sugere-se alongar o pescoço para cima enquanto se recolhe o queixo suavemente, afastando as clavículas e puxando as escápulas para baixo e para trás, mantendo a curvatura natural da região lombar através da contração abdominal.

O fortalecimento dos músculos flexores do pescoço também é indicado para aumentar a estabilidade e a sustentação da cabeça. Algumas técnicas incluem:

  1. Exercício de sustentação: Deitado com joelhos dobrados, aproximar o queixo do peito e levantar a cabeça cerca de 2,5 centímetros da cama, mantendo a posição por alguns segundos até atingir a meta de 30 segundos.
  2. Uso de apoio: Em uma cadeira com encosto, empurrar a cabeça contra o apoio e levar o queixo em direção ao peito.
  3. Resistência elástica: Utilizar uma faixa elástica presa à testa e a um objeto fixo, flexionando o pescoço para baixo sob tensão.

A implementação de qualquer rotina de exercícios deve ser precedida de consulta médica.

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