Uso de gomas de ashwagandha leva mulher a coma e transplante de fígado na Inglaterra
O uso prolongado de gomas de ashwagandha causou falência hepática e coma na britânica Lois Kinder, de 44 anos, exigindo um transplante de fígado. A paciente apresentou icterícia e sofreu danos cerebrais após três paradas cardíacas durante a cirurgia. No Brasil, a substância é proibida pela Anvisa desde novembro de 2022
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O consumo prolongado de gomas de ashwagandha, erva comercializada como calmante natural, levou a britânica Lois Kinder, de 44 anos, a entrar em coma e necessitar de um transplante de fígado. O quadro clínico, ocorrido após cerca de um ano de uso do suplemento, resultou na falência do órgão, conforme avaliação médica.
Complicações e quadro clínico
Residente de Lymm, no condado de Cheshire, Inglaterra, Lois Kinder divulgava o produto no TikTok e revendia itens de empresas do Reino Unido, Estados Unidos e Índia. Os primeiros sintomas manifestaram-se através da icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos. Esse estado ocorre quando o fígado não consegue processar a bilirrubina — pigmento resultante do descarte de glóbulos vermelhos —, causando o acúmulo da substância no sangue e a pigmentação dos tecidos.
A gravidade do caso culminou em uma cirurgia de transplante, durante a qual a paciente sofreu três paradas cardíacas devido a um coágulo na principal artéria dos pulmões, resultando em danos cerebrais graves.
Histórico de toxicidade hepática
A literatura médica já documenta a relação entre a ashwagandha e a lesão no fígado. Em 2020, relatos de médicos dos Estados Unidos e da Islândia descreveram cinco pacientes com coceira e icterícia intensa após o uso da erva, com a normalização dos exames entre um e cinco meses após a interrupção.
Casos mais severos também foram registrados, incluindo a falência aguda do órgão e a necessidade de transplante, conforme publicação da Universidade de Minnesota. Uma revisão científica recente compilou 37 casos que apontam desfechos críticos, incluindo mortes e transplantes hepáticos.
Regulamentação e proibição no Brasil
No território brasileiro, a ashwagandha é proibida desde novembro de 2022. A Anvisa reforça que a substância não possui segurança, qualidade ou eficácia comprovadas. A comercialização de suplementos alimentares no país é regida pela resolução RDC 243 de 2018, que autoriza apenas ingredientes previamente aprovados pela agência, lista na qual a planta indiana não está incluída.
A Anvisa orienta que:
- A venda de produtos à base de ashwagandha é ilegal no Brasil;
- Suplementos não podem ser anunciados com promessas de cura, tratamento ou prevenção de doenças;
- Denúncias sobre a venda ilegal podem ser feitas à própria agência ou à vigilância sanitária municipal.
Apesar da proibição, a agência alerta que produtos com a composição ainda são encontrados no mercado, reiterando o risco do uso de substâncias naturais sem a devida orientação médica.