Saúde

Uso de medicamentos para obesidade impulsiona mercado de suplementos alimentares nos Estados Unidos

27 de Outubro de 2026 às 06:01 3 min de leitura

O uso de medicamentos GLP-1 nos Estados Unidos impulsionou a venda de suplementos alimentares, com gastos em fibras, proteínas e probióticos crescendo cerca de 20%. O mercado do setor superou US$ 74 bilhões em 2025, influenciado por redes sociais e pela ausência de regulação da FDA

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A crescente utilização de medicamentos à base de GLP-1, como o Ozempic e o Wegovy, tem impulsionado um mercado paralelo de suplementos alimentares nos Estados Unidos. Embora essas drogas sejam reconhecidas por sua eficácia no tratamento da obesidade, do diabetes tipo 2 e na redução de riscos cardíacos, a incidência de efeitos colaterais tem levado pacientes a buscarem alternativas para mitigar sintomas como fadiga, náuseas, constipação e desconforto gastrointestinal.

De acordo com dados do Nutrition Business Journal, quase metade dos usuários de GLP-1 passou a consumir novas vitaminas e suplementos após iniciarem o tratamento. O destaque vai para a procura por fibras, proteínas, probióticos e colágeno, com um aumento de gastos de aproximadamente 20% nesses itens, segundo levantamento do Boston Consulting Group.

O papel das redes sociais e a falta de regulação

A promoção desses produtos tem sido amplamente difundida por influenciadores digitais, especialmente no TikTok. A plataforma, por meio da TikTok Shop, movimentou mais de US$ 1 bilhão em vendas de suplementos em 2025, representando 5,4% de todo o comércio eletrônico do setor.

Nesse cenário, profissionais de saúde licenciados e usuários comuns utilizam sua visibilidade para recomendar coquetéis de eletrólitos, magnésio e vitamina B12. Enquanto alguns utilizam a experiência pessoal para validar a eficácia dos produtos, outros mantêm contratos remunerados com marcas do setor.

Entretanto, essa tendência gera alertas no meio médico e regulatório. Nos Estados Unidos, a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) não exige aprovação prévia para a comercialização de vitaminas e suplementos. Essa ausência de fiscalização rigorosa dificulta a verificação da credibilidade científica dos produtos e a precisão de seus componentes.

Impacto financeiro e riscos à saúde

O custo para manter essas rotinas suplementares é elevado e não possui cobertura de planos de saúde. Relatos de usuários indicam gastos mensais que variam entre US$ 110 e US$ 300 para a manutenção de kits de suplementação.

A expansão do mercado é evidente nos números: as vendas totais de suplementos nos EUA ultrapassaram US$ 74 bilhões em 2025. O crescimento do setor foi de 7% no ano anterior e de 5% em 2024.

Apesar da popularidade, a falta de transparência sobre a composição dos produtos é a principal preocupação de especialistas. A impossibilidade de saber a composição exata do que é ingerido torna difícil a mensuração dos riscos à saúde dos consumidores, motivando pedidos por regulamentações mais rígidas no marketing online e na distribuição desses produtos.

Quanto à adesão aos medicamentos GLP-1, a projeção do JPMorgan indica que o número de usuários nos Estados Unidos, que foi de 10 milhões no último ano, pode saltar para 25 milhões até 2030.

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