Uso de toxina botulínica para fins estéticos pode impactar a percepção e a vivência de emoções
A aplicação de toxina botulínica para fins estéticos pode prejudicar a percepção de emoções e elevar níveis de depressão ao imobilizar músculos oculares. O procedimento na testa foi associado à redução da função sexual feminina, enquanto a aplicação entre as sobrancelhas relatou melhora no humor
O uso da toxina botulínica para fins estéticos pode impactar a capacidade do indivíduo de processar e vivenciar emoções, extrapolando a simples alteração da aparência facial. O procedimento afeta a mimética facial, mecanismo responsável por ler e imitar as expressões alheias, o que pode prejudicar a conexão interpessoal e a decodificação rápida de sentimentos em interações sociais.
Impacto na percepção social e no humor
A eliminação de marcas como os "pés de galinha" interfere no chamado sorriso de Duchenne, caracterizado por envolver a região dos olhos em expressões de alegria genuína. Quando essas linhas de expressão são apagadas, a percepção de quem observa pode ser de que o sorriso é falso, alterando a dinâmica da interação.
A relação entre a musculatura facial e o estado emocional funciona em duas vias: a expressão reflete o sentimento, mas o movimento físico também gera a emoção. Por esse motivo, a imobilização dos músculos ao redor dos olhos tem sido associada a um aumento nos níveis de depressão, já que o cérebro deixa de receber o feedback positivo proveniente do movimento espontâneo.
Em contrapartida, a aplicação da toxina nas linhas entre as sobrancelhas apresentou resultados opostos, com relatos de melhora no humor devido à interrupção do movimento de franzir a testa, gesto comumente ligado à tristeza ou preocupação.
Reflexos na função sexual
A influência do congelamento facial atinge também a experiência do prazer. De acordo com a teoria das emoções corporificadas, a contração involuntária dos músculos da testa durante a fase de excitação é fundamental para intensificar a sensação de prazer antes do clímax.
Nesse cenário, mulheres que realizaram o procedimento na região da testa relataram uma queda na função sexual geral. Os relatos indicam que os orgasmos tornaram-se mais difíceis de alcançar e menos satisfatórios, evidenciando que a expressão facial atua como parte ativa da experiência sensorial e não apenas como um reflexo dela.