Saúde

Uso injetável de peptídeo GHK-Cu não possui aprovação da Anvisa e oferece riscos à saúde

16 de Junho de 2026 às 09:23

O peptídeo GHK-Cu não possui registro como medicamento para uso injetável no Brasil e nos Estados Unidos. A Anvisa alerta que a comercialização de substâncias sem regularização é crime e pode causar infecções, necrose e problemas hepáticos. A aplicação do composto é autorizada apenas em produtos cosméticos de uso externo

Uso injetável de peptídeo GHK-Cu não possui aprovação da Anvisa e oferece riscos à saúde
reprodução redes sociais

O uso do peptídeo GHK-Cu, composto natural formado por cobre e pelos aminoácidos glicina, histidina e lisina, tem ganhado visibilidade em redes sociais e fóruns de longevidade e estética. Embora a substância, presente no plasma humano, apresente resultados promissores em aplicações tópicas, a versão injetável do produto não possui aprovação para uso humano no Brasil nem nos Estados Unidos.

A popularização da administração injetável do composto gera preocupação médica devido à ausência de respaldo regulatório e de comprovação científica sobre sua segurança. A endocrinologista Cristina Schreiber, diretora do departamento de Endocrinologia do Esporte e Exercício da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), alerta que a falta de controle sobre a composição e a quantidade de usuários pode transformar a prática em um problema de saúde pública.

Devido à proibição no Brasil, a versão injetável é frequentemente adquirida em marketplaces. Em alguns anúncios, os vendedores exigem que o comprador se declare um "pesquisador qualificado" e aceite termos de uso exclusivamente laboratoriais, isentando o vendedor de responsabilidade pelo consumo humano ou animal.

Os riscos associados ao uso de substâncias sem comprovação são graves. A Dra. Schreiber aponta a possibilidade de contaminações químicas, problemas hepáticos e o surgimento de doenças. Complementando a análise, a dermatologista Rafaela Salvato, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que a via injetável transforma o cosmético em uma intervenção médica, exigindo rigorosos controles de esterilidade, pureza, dose e estabilidade. A ausência desses critérios pode levar a reações inflamatórias locais, edema, infecções, abscessos, necrose, reações alérgicas e efeitos sistêmicos imprevisíveis.

No campo da dermatologia, o GHK-Cu é utilizado de forma segura em séruns e cremes. Estudos clínicos indicam que a aplicação tópica por 12 semanas em mulheres resultou em melhora da textura, densidade, firmeza e elasticidade da pele, além de reduzir rugas e linhas finas. A Dra. Salvato ressalta, porém, que esses efeitos são graduais e dependem da formulação, não autorizando a extrapolação dos benefícios para as vias oral ou injetável.

Pesquisas publicadas na revista BioMed Research International mostram que o peptídeo estimula a produção de colágeno, auxilia no reparo do DNA e reduz inflamações. Observou-se que os níveis naturais de GHK no organismo diminuem com a idade, passando de aproximadamente 200 ng/mL aos 20 anos para 80 ng/mL aos 60 anos. Além disso, estudos em animais indicaram aceleração da cicatrização de feridas e aumento da formação de vasos sanguíneos.

Há ainda investigações preliminares sobre a capacidade do GHK-Cu de modular genes ligados ao crescimento nervoso, resposta antioxidante e até a supressão de genes associados à progressão do câncer colorretal metastático, embora tais achados dependam de novos testes em humanos.

Do ponto de vista regulatório, a Anvisa esclarece que cosméticos são estritamente para uso externo. A agência informou que o GHK-Cu, assim como outros peptídeos como BPC-157, TB500, CJC-1295 e Ipamorelina, não possuem registro como medicamentos ou produtos de saúde no país. A Anvisa enfatiza que a venda de produtos terapêuticos sem regularização é crime previsto no Código Penal e que a rotulagem como "químicos experimentais" ou "para fins de pesquisa" é frequentemente utilizada para enganar o consumidor, representando um risco grave à saúde.

Notícias Relacionadas