Saúde

Usuários de patinetes elétricos apresentam maior frequência de lesões na cabeça do que motociclistas e ciclistas

15 de Agosto de 2026 às 06:01

Pesquisa na Inglaterra e País de Gales indica que usuários de patinetes elétricos apresentam lesões na cabeça 3,5 vezes mais frequentes que motociclistas e 1,7 vez mais que ciclistas. O estudo com mais de 15 mil pessoas aponta que apenas 6% dos condutores gravemente feridos usavam capacete. Em 2024, a Grã-Bretanha registrou 1.312 colisões, resultando em seis mortes e 444 feridos graves

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Usuários de patinetes elétricos apresentam maior frequência de lesões na cabeça do que motociclistas e ciclistas
Sarah Meyssonnier/Reuters

Acidentes com patinetes elétricos podem resultar em quadros clínicos graves, como traumatismos cranioencefálicos, danos a órgãos internos e fraturas complexas, contrariando a percepção comum de que a baixa velocidade e a proximidade do solo minimizam os riscos. Uma pesquisa realizada na Inglaterra e no País de Gales, que analisou dados de um banco nacional de trauma, revelou que o padrão de ferimentos nesses veículos difere significativamente de outros meios de transporte.

O estudo examinou mais de 15 mil pessoas com lesões moderadas ou graves, incluindo 580 condutores de patinetes elétricos, além de grupos de ciclistas e motociclistas com mais de 7 mil integrantes cada. Os dados indicam que, entre adultos gravemente feridos, as lesões na cabeça foram cerca de 3,5 vezes mais frequentes em usuários de patinetes do que em motociclistas, e 1,7 vez mais comuns do que em ciclistas. Mais de um terço dos traumas graves registrados em adultos que utilizavam esses veículos envolvia a região craniana.

Dinâmica do acidente e fatores de risco

A gravidade desses ferimentos está ligada ao design do veículo e à postura do condutor. O centro de gravidade elevado, somado a rodas menores que as de bicicletas e a um guidão estreito, favorece a projeção do corpo para frente. Ao encontrar obstáculos como buracos ou meio-fio, a roda dianteira pode travar bruscamente, arremessando o usuário contra o asfalto com pouca proteção para a cabeça.

A vulnerabilidade é agravada pela baixa adesão a equipamentos de segurança. O levantamento apontou que apenas 6% dos condutores de patinetes elétricos gravemente feridos utilizavam capacete, índice consideravelmente inferior ao de motociclistas (76%) e ciclistas (45%). Além disso, o estudo identificou uma presença desproporcional de jovens: cerca de 16% dos feridos em patinetes tinham menos de 18 anos, proporção superior à encontrada nos outros grupos analisados.

Impacto na saúde e estatísticas oficiais

As consequências clínicas variam conforme a gravidade do impacto. Enquanto fraturas leves são tratadas com órteses ou gesso, casos complexos demandam cirurgias com hastes metálicas, placas ou parafusos. Já os traumatismos cranianos e hemorragias internas podem exigir intervenções de emergência, cuidados em UTI e reabilitação prolongada, podendo levar a incapacidades permanentes.

No âmbito estatístico, a Grã-Bretanha registrou 1.312 colisões com patinetes elétricos em 2024. Esses incidentes resultaram em 1.390 vítimas, das quais seis morreram e aproximadamente 444 sofreram ferimentos graves. Outra frente da pesquisa, que monitorou 23 mil incidentes em patinetes de aluguel (dentro de um universo de 33 milhões de viagens), observou que as taxas de colisão variam entre as cidades, indicando que a infraestrutura urbana influencia o risco tanto quanto o veículo.

Orientações para a prevenção

Para reduzir a incidência de traumas graves, a recomendação central é o uso do capacete, essencial para proteger a área mais vulnerável do corpo. Outras medidas preventivas incluem:

  • Domínio prévio dos sistemas de aceleração, frenagem e direção antes de acessar vias com tráfego;
  • Atenção redobrada à velocidade em pistas irregulares ou molhadas;
  • Abstenção do uso de celular e do consumo de álcool durante a condução;
  • Evitar o transporte de passageiros extras no veículo.

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