Saúde

Vacina da Pfizer não causa contaminação por hantavírus, afirma especialista da USP

21 de Maio de 2026 às 06:29

Publicações em redes sociais propagam a informação falsa de que a vacina da Pfizer contra a Covid-19 causa hantavírus. A afirmação baseia-se em um documento de 2021 enviado à FDA, mas não há evidências de relação causal ou aumento de casos da doença

Vacina da Pfizer não causa contaminação por hantavírus, afirma especialista da USP
g1

Publicações que circulam nas redes sociais, especialmente na plataforma X desde o início de maio, afirmam erroneamente que a vacina da Pfizer contra a Covid-19 causaria a contaminação por hantavírus. A desinformação utiliza como base um documento de 38 páginas enviado pela fabricante à Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, em 2021.

A menção à "infecção pulmonar por hantavírus" no referido documento ocorre porque a Pfizer é obrigada a registrar todos os eventos de saúde manifestados após a aplicação do imunizante, independentemente de haver ou não relação causal com a vacina. De acordo com Luís Carlos de Souza Ferreira, professor do Departamento de Microbiologia da Universidade de São Paulo (USP), essa listagem de eventos adversos é um requisito obrigatório na fase 4 do estudo clínico de qualquer medicamento ou vacina para a obtenção de aprovação.

Não houve registro de aumento nos casos de hantavirose nem evidências de que o imunizante provoque a doença. Caso fosse comprovada a relação de causa e efeito entre a vacina e a infecção, a aplicação do produto teria sido suspensa, a exemplo do que ocorreu com a vacina da AstraZeneca devido ao risco de trombose. Vale ressaltar que o hantavírus não consta na bula do medicamento.

A propagação dessas mensagens coincidiu com um surto da variante Andes do hantavírus, que resultou na morte de três pessoas a bordo do navio-cruzeiro MV Hondius. A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, e chegou ao porto de Rotterdam, na Holanda, em 18 de maio para a realização de desinfecção. Embora o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, tenha descartado a possibilidade de uma disseminação ampla da doença em 12 de maio, a situação permanece sob monitoramento devido ao longo período de incubação do vírus.

O hantavírus é transmitido pelo contato com fezes, urina e saliva de roedores. Os sintomas iniciais incluem febre, fadiga, dores musculares e abdominais, podendo evoluir para quadros graves de comprometimento cardiovascular e pulmonar, como a síndrome da angústia respiratória (SARA).

Quanto aos efeitos adversos reais da vacina da Pfizer, a bula indica reações muito comuns (10% dos pacientes), como febre, calafrios, cansaço, dor de cabeça, diarreia, dores musculares e articulares, além de inchaço e dor no local da aplicação. Reações comuns (entre 1% e 10%) incluem náusea, vômito, vermelhidão no local da injeção e aumento de gânglios linfáticos. Eventos incomuns (0,1% a 1%) abrangem insônia, tontura, suor excessivo, letargia, diminuição do apetite, mal-estar, fraqueza e reações de hipersensibilidade, como urticária e prurido. A paralisia facial aguda é classificada como uma reação rara, ocorrendo em até 0,1% dos casos.

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