Vendas de medidores de pressão irregulares superam as de aparelhos certificados no Brasil
Vendas de equipamentos médicos irregulares superaram as de produtos certificados no primeiro semestre, com 506 mil medidores de pressão ilegais contra 446 mil legais. O Inmetro utiliza inteligência artificial para monitorar e remover anúncios digitais de itens sem certificação. A falta de fiscalização compromete a precisão técnica de aparelhos e eleva riscos à saúde
A comercialização de equipamentos médicos irregulares cresce no mercado brasileiro, impulsionada principalmente pela facilidade de vendas via internet. O problema abrange itens como termômetros, balanças, medidores de pressão, inaladores e nebulizadores que, por serem piratas, não possuem a certificação do Inmetro e desrespeitam a legislação vigente.
Impacto no mercado e fiscalização
A disparidade entre produtos certificados e ilegais é evidente nos dados do primeiro semestre. Enquanto o Brasil registrou a venda de 446 mil medidores de pressão legais, as unidades irregulares somaram 506 mil, representando uma vantagem de aproximadamente 13,5% para os produtos sem certificação.
Para conter esse avanço, o Inmetro implementou o uso de tecnologia para monitorar plataformas digitais. A estratégia consiste em utilizar inteligência artificial para rastrear anúncios fora das normas, notificar os responsáveis e remover as ofertas do ar.
Riscos à saúde e precisão técnica
A ausência de fiscalização compromete a precisão dos aparelhos. Balanças e termômetros podem indicar pesos e temperaturas incorretos, enquanto inaladores e nebulizadores correm o risco de liberar volumes de vapor inadequados.
O perigo se intensifica no monitoramento de condições clínicas. No caso da pressão arterial, a cardiologista Fátima Cintra alerta que a utilização de aparelhos não certificados pode levar a decisões equivocadas, como o paciente acreditar que sua pressão está normal quando não está. Esse tipo de leitura incorreta pode estar associado ao aumento da mortalidade cardiovascular.
Orientações ao consumidor
Além dos riscos à saúde, a compra de produtos sem fiscalização pode gerar prejuízos financeiros. Para evitar esses problemas, a recomendação é verificar a presença do selo do Inmetro antes de finalizar a compra.
A atenção deve ser redobrada em transações online, onde a simplicidade na publicação de anúncios facilita a oferta de equipamentos que não passaram pelos controles necessários para garantir o funcionamento conforme as especificações técnicas.