Saúde

Vírus sincicial respiratório é o agente predominante nos casos de infecções respiratórias no Brasil

02 de Julho de 2026 às 06:12

O Brasil registra aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, com predominância do vírus sincicial respiratório em diversas regiões. O agente causou 53,1% das infecções respiratórias nas últimas quatro semanas, segundo a Fiocruz. O SUS oferece vacinação para gestantes e nirsevimabe para bebês prematuros ou com comorbidades

Vírus sincicial respiratório é o agente predominante nos casos de infecções respiratórias no Brasil
Prefeitura/Divulgação

O Brasil apresenta um crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionado principalmente pela circulação do vírus sincicial respiratório (VSR). De acordo com o boletim InfoGripe, da Fiocruz, o VSR é o agente predominante nas infecções respiratórias, embora a gripe seja a causa da maioria dos óbitos.

A expansão do vírus é observada em toda a região Sul, abrangendo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e em grande parte do Sudeste, com Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O aumento também atinge estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, especificamente Amapá, Pará, Roraima, Alagoas, Ceará, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Em Porto Alegre, a pressão sobre o sistema de saúde é evidente: em um único mês, as unidades médicas registraram um acréscimo de quase 20% nos atendimentos, totalizando mais de 33 mil consultas acima da média esperada.

O VSR impacta severamente crianças menores de dois anos, sendo a causa de cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias nessa faixa etária. No entanto, a vulnerabilidade se estende a adultos e idosos, especialmente aqueles com diabetes, asma, doenças cardiovasculares ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Para pessoas acima de 65 anos, pacientes cardíacos e portadores de DPOC, a infecção pode evoluir para quadros graves, exigindo oxigênio, internação em UTI, ventilação mecânica ou resultando em óbito, devido ao processo natural de envelhecimento do sistema imunológico, a imunossenescência.

Para mitigar esses riscos, o SUS disponibiliza a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana, visando a transferência de anticorpos para o bebê e a proteção contra pneumonia e bronquiolite nos primeiros meses de vida. Bebês prematuros ou com comorbidades podem receber o nirsevimabe para ampliar essa proteção. Já para adultos a partir de 18 anos com comorbidades e idosos, a vacinação ocorre via rede privada. Uma das opções disponíveis no setor privado utiliza um adjuvante para potencializar a resposta imunológica, oferecendo proteção por pelo menos três anos, tempo superior ao de imunizantes contra covid e gripe. A vacinação é recomendada mesmo para quem já contraiu o vírus, pois a infecção natural não gera imunidade permanente.

O diagnóstico do VSR é complexo, pois seus sintomas — febre, tosse, coriza, dor de garganta e no corpo — são idênticos aos de outros vírus respiratórios. A diferenciação exige exames laboratoriais, como PCR ou testes rápidos de swab nasal. Essa precisão é crucial para a conduta médica, já que, enquanto a influenza possui o antiviral oseltamivir (Tamiflu), que pode reduzir hospitalizações em 52% se usado precocemente, não existe antiviral eficaz e disponível para o VSR.

Dados recentes da Fiocruz mostram que, nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o VSR representou 53,1% dos casos positivos de infecções respiratórias, seguido pelo rinovírus (23,9%), influenza A (16,4%), influenza B (7,9%) e Covid-19 (2%). No que diz respeito aos óbitos, a influenza A liderou com 38,3%, seguida pelo rinovírus (21,6%), VSR (20,9%), influenza B (12,6%) e Covid-19 (7,5%).

Como medida de prevenção, orienta-se que pessoas com sintomas respiratórios permaneçam em casa ou utilizem máscaras. A higienização das mãos, o hábito de cobrir a boca ao tossir e a restrição de visitas a idosos e cardiopatas durante quadros virais são fundamentais para evitar que infecções leves em jovens se tornem graves em populações vulneráveis.

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