Algoritmos criam realidade que se impõe aos fatos, diz coronel especialista em cibersegurança
O coronel Ángel Gómez de Ágreda, especialista em cibersegurança e inteligência artificial, afirma que os algoritmos criam uma realidade que se impõe aos fatos. Ele alerta sobre a necessidade de definir limites éticos para o uso militar da inteligência artificial. Gómez de Ágreda está atualmente na Espanha após ser impedido de retornar ao Qatar, onde reside habitualmente
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Coronel Ángel Gómez de Ágreda: "Os algoritmos criam uma realidade que se impõe aos fatos"
O coronel do Exército do Ar e do Espaço na reserva, piloto militar de transporte e paraquedista, é especialista em cibersegurança, inteligência artificial e geopolítica. Em seu último livro, "Um mundo ilusório", ele revela como os algoritmos criam uma realidade que se impõe aos fatos.
Gómez de Ágreda foi chefe de análise geopolítica no Ministério da Defesa e agregado de Defesa na Coreia do Sul e no Japão. Ele atualmente está "preso" na Espanha após o fechamento do espaço aéreo ter impedido seu retorno ao Qatar, onde reside habitualmente.
O coronel alerta que os algoritmos não apenas preveem o que fazemos, mas criam uma realidade "pronta para usar" para condicionar nossas decisões. Isso é um passo além do mundo de vigilância em massa descrito no livro "Mundo Orwell", inspirado em 1984.
Gómez de Ágreda destaca que a Espanha, como país europeu, também está imersa nessas dinâmicas e que as redes sociais estão desempenhando um papel importante na transição da realidade para a "pos-realidade" e a "desinformação".
Ele afirma que os grandes atores dessa "pos-realidade" são as empresas que detêm os dados e os Estados em que essas empresas estão localizadas. Isso está mudando a forma de fazer política, construir comunidades e nos relacionarmos na sociedade.
Gómez de Ágreda também aborda o choque entre governos e grandes empresas de tecnologia, destacando que as negociações atuais são apenas um passo para definir os limites éticos do uso militar da inteligência artificial. Ele destaca a importância dos operadores humanos conservarem autonomia em face das decisões tomadas pelas máquinas.
Em resumo, o coronel Ángel Gómez de Ágreda alerta que estamos vivendo um momento inquietante na história, onde os algoritmos criam uma realidade que se impõe aos fatos e condiciona nossas decisões. Ele destaca a necessidade de definir limites éticos para o uso militar da inteligência artificial e ressalta a importância do papel das redes sociais nesse contexto.
Gómez de Ágreda também faz um alerta sobre as desigualdades sociais e polarização que estão surgindo em resultado dessa transição. Ele afirma que os grandes atores são as empresas com dados, mas o coronel ainda não concluiu sua análise completa para determinar a extensão do impacto dessas dinâmicas.
Ainda está aberto um debate sobre como esses algoritmos sejam usados em campos complexos como guerra. Gómez de Ágreda destaca que há necessidade de definir os limites éticos, não apenas para armas ofensivas, mas também para veículos no campo de batalha.
Ele menciona exemplos específicos dos conflitos na Ucrânia e Gaza onde o operador do exército israelense tem poder de decidir quem vive ou morre. O coronel ainda é cético em relação a como as negociações com os Estados Unidos irão impactar no futuro.
Agora, mais que nunca, estamos precisando de especialistas como Gómez de Ágreda para alertarmos sobre o risco desse mundo ilusório e trabalharmos juntos para definir limites éticos.