Austrália implementa tecnologia que transforma dióxido de carbono industrial em minerais para a construção civil
A Austrália instalou a tecnologia Myrtle, da MCi Carbon, na unidade da Orica para converter CO₂ industrial em minerais para a construção civil. O projeto, financiado com 14,5 milhões de dólares australianos, prevê a captura anual de até 2.500 toneladas de carbono. Uma unidade comercial com capacidade para capturar 50 mil toneladas de CO₂ por ano está planejada para 2030
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A Austrália implementou a Myrtle, uma tecnologia de captura e utilização de carbono desenvolvida pela MCi Carbon que converte o CO₂ industrial em minerais aplicáveis à fabricação de vidro, papel, gesso, concreto e outros insumos de construção. Instalada na unidade da Orica, na ilha de Kooragang, próxima a Newcastle, a planta altera a lógica de mitigação de emissões ao tratar o dióxido de carbono como matéria-prima para a carbonatação mineral, em vez de apenas armazená-lo no subsolo.
O sistema foca em setores de descarbonização complexa, como a produção de aço, produtos químicos e cimento, onde as emissões resultam de reações químicas intrínsecas ao processo e não apenas do consumo energético. A Myrtle captura o CO₂ proveniente da produção de amoníaco e, por meio de um processo químico que mimetiza reações naturais, combina o gás com minerais de magnésio e cálcio. O resultado são compostos sólidos e estáveis, como sílica amorfa e carbonatos de cálcio e magnésio, que podem ser integrados à produção de adesivos, tintas e placas de gesso.
A operação promove a economia circular ao integrar resíduos industriais, subprodutos de mineração e escórias ao processo, diminuindo a necessidade de extração de matérias-primas virgens. Em termos de capacidade, a MCi Carbon projeta a produção anual de 10 mil toneladas de materiais minerais, com a captura de CO₂ estimada entre 1.000 e 2.500 toneladas por ano.
O projeto foi viabilizado por um investimento de 14,5 milhões de dólares australianos (aproximadamente 8,9 milhões de euros) do programa governamental de captura de carbono da Austrália. O aporte visa criar soluções para indústrias difíceis de eletrificar, transformando o carbono em um ativo de valor comercial.
Atualmente operando como planta piloto para validação industrial, a tecnologia prepara o terreno para expansões de escala. A MCi Carbon já articula a implementação de uma unidade comercial para 2030 em parceria com a RHI Magnesita. Esta futura instalação prevê a captura de 50 mil toneladas de CO₂ anuais e a produção de mais de 200 mil toneladas de minerais verdes, destinados à construção de edifícios e estradas com menor impacto ambiental.