Celebração de 40 anos de Aliens permite analisar a evolução de tecnologias da ficção científica
A celebração de 40 anos do filme Aliens permite comparar tecnologias da obra, como exoesqueletos e Inteligência Artificial Geral, com a realidade atual. O longa antecipou sistemas de rastreamento e vigilância, embora apresente conceitos como terraformação e hipersono ainda teóricos. A indústria moderna aplica a robótica em reabilitação e combate, enquanto a criação de sintéticos complexos permanece distante das capacidades técnicas
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A celebração dos 40 anos de Aliens, dirigido por James Cameron e sequência do longa de 1979 de Ridley Scott, permite analisar a distância entre a ficção científica de 2179 e a realidade tecnológica atual. Enquanto a obra apresenta um cenário de conflito entre marines espaciais e centenas de criaturas, ela introduz conceitos como a terraformação, o hipersono (sono criogênico para viagens interestelares) e a navegação entre estrelas — tecnologias que, no presente, permanecem no campo teórico ou são impossíveis de serem executadas em escala humana.
Robótica e a evolução dos exoesqueletos
Um dos destaques do filme são os "carregadores", trajes mecânicos utilizados para movimentar cargas e, posteriormente, combater xenomorfos. Na prática, esses equipamentos representam os exoesqueletos, tecnologia que já existe, embora em escala reduzida. Atualmente, esses dispositivos são aplicados na recuperação de mobilidade para pessoas com lesões traumáticas ou em versões comerciais para auxílio em trilhas.
Diferente da ficção, a indústria moderna prioriza robôs autônomos ou controlados remotamente para levantar pesos excessivos, visando a segurança humana em ambientes perigosos. Já a área militar apresenta paralelos reais: os canhões sentinelas automatizados da colônia lunar assemelham-se a robôs de combate autônomos vistos em conflitos recentes, como a guerra na Ucrânia, embora o filme ignore a onipresença das aeronaves não tripuladas (drones) contemporâneas.
Inteligência Artificial e a busca pela IAG
O androide Bishop, classificado como "sintético", personifica a busca pela Inteligência Artificial Geral (IAG), onde a máquina atinge níveis de função cognitiva humana. O personagem segue a primeira lei da robótica de Isaac Asimov, ao afirmar a impossibilidade de causar dano a seres humanos.
A construção física dos sintéticos sugere a aplicação da robótica suave, campo de pesquisa que utiliza materiais flexíveis e fluidos ou ar comprimido para gerar movimento, em vez de atuadores elétricos rígidos. A estrutura desses robôs no filme parece combinar essa flexibilidade com uma base rígida, simulando a anatomia de carne e ossos. Apesar do marketing agressivo de empresas que buscam investimentos em humanoides, a criação de seres com a complexidade de Bishop ainda é considerada distante das capacidades técnicas atuais.
Vigilância e infraestrutura digital
A estética de Aliens é marcada por um visual industrial e cru, com veículos inspirados na Guerra do Vietnã. No entanto, a tecnologia de rastreamento — composta por sensores biológicos em pulseiras, câmeras portáteis e detectores de movimento— antecipou tendências modernas.
Se extrapolada para a realidade de 2179, a colônia lunar provavelmente utilizaria redes de visão artificial e câmeras inteligentes para monitorar comportamentos, sistema este que já é empregado hoje para a vigilância de multidões em transportes públicos e vias urbanas. Curiosamente, o filme apresenta executivos utilizando chamadas de vídeo de baixa resolução e cartões de visita volumosos, evidenciando a ausência de dispositivos eletrônicos pessoais, que, na narrativa, podem ter se tornado obsoletos.