China desenvolve motor turboélice próprio para equipar o maior drone de carga do mundo
A subsidiária da AECC desenvolveu o motor turboélice AEP100, com certificação prevista para 2027, para equipar o drone de carga W5000. A aeronave transporta até 5 toneladas em voos de 2.600 quilômetros, visando a autonomia tecnológica chinesa no setor aeroespacial
A China avança para a autonomia tecnológica no setor aeroespacial com o desenvolvimento do AEP100, um motor turboélice projetado para eliminar a dependência de fornecedores estrangeiros, como Honeywell e Pratt & Whitney. Desenvolvido pela AE General Aviation Power Tech, subsidiária da AECC, o motor está em fase final de certificação junto à Administração de Aviação Civil da China, com a aprovação regulamentar prevista para 2027.
O AEP100 equipará o W5000, um drone de carga bimotor desenvolvido pela startup Air White Whale. Com a realização de seu voo inaugural, a aeronave deve se tornar o maior drone de transporte do mundo, superando o Norinco Luca em potência. O projeto foca na logística de alta capacidade em áreas remotas, como ilhas e regiões montanhosas sem infraestrutura rodoviária ou ferroviária, permitindo o transporte de suprimentos de emergência e bens de alto valor.
As especificações técnicas do W5000 incluem um peso máximo de decolagem de 10,8 toneladas e capacidade de carga útil de 5 toneladas. A aeronave possui 22,9 metros de comprimento, 22,7 metros de envergadura e um volume interno de carga superior a 65 metros cúbicos, operando sem a necessidade de pilotos em voos com alcance de 2.600 quilômetros.
Durante o último ano, o AEP100 passou por testes em solo em protótipos do W5000, mantendo desempenho constante. Yuan An, gerente geral do projeto, afirma que o motor supera concorrentes estrangeiros em indicadores de eficiência, estabilidade e potência. A agilidade no processo de certificação do AEP100 deve-se ao fato de ele compartilhar o mesmo motor principal que o modelo turboeixo AES100, o que simplifica as validações de segurança, ruído e emissões.
A estratégia chinesa visa preencher uma lacuna significativa de mercado. Enquanto os Estados Unidos operam mais de 275 mil aeronaves de aviação geral, a China possui apenas alguns milhares, o que indica um potencial de demanda para centenas de milhares de motores nos próximos anos.
Paralelamente ao AEP100, a AECC desenvolve motores híbridos com potências entre 200 e 1.000 quilowatts, atraindo o interesse de diversos clientes. Esse movimento expande a ambição do país para dominar tanto a propulsão convencional quanto a eletrificada, reduzindo vulnerabilidades estratégicas diante de possíveis sanções ou restrições de exportação ocidentais.