China propõe integrar inteligência artificial a ondas de rádio para aprimorar sistemas de guerra eletrônica
Engenheiros chineses propuseram integrar inteligência artificial à física de ondas de rádio para aprimorar sistemas de comunicação e guerra eletrônica. A tecnologia "IA Plus" aumentou a capacidade de transmissão em quase 300% e reduziu a taxa de erro de sinais para 0,01%. O projeto visa viabilizar links sem fio superiores a 5.000 quilômetros e a criação de uma rede autoevolutiva
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F999%2F787%2F43b%2F99978743b35a038ebd12ac3986bd3dfa.jpg)
Engenheiros de defesa chineses propuseram a integração da inteligência artificial à física das ondas de rádio para desenvolver sistemas de comunicação e guerra eletrônica com maior velocidade, inteligência e resistência. O projeto, liderado por Li Fukai, da Academia Chinesa de Eletrônica e Tecnologia da Informação e do Laboratório Nacional Chave de Propagação de Ondas Eletromagnéticas, foi detalhado em estudo publicado na revista *Command Control and Simulation*.
A proposta, denominada "IA Plus", foca na criação de formas de onda com pulsos intercalados controladas por IA para confundir bloqueadores inimigos. Em testes na Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa, a tecnologia elevou a capacidade de transmissão em quase 300% e reduziu a taxa de erro de sinais em condições de interferência intensa, passando de 1% para 0,01%.
O sistema também visa otimizar comunicações de ultralonga distância. Através da análise de dados de sensores terrestres e espaciais, a IA pode prever as frequências ideais de transmissão com horas de antecedência. Essa capacidade permitiria ao Exército Popular de Libertação estabelecer links sem fio superiores a 5.000 quilômetros sem depender de satélites de retransmissão, mantendo a estabilidade mesmo sob ataques eletrônicos ou tempestades solares.
Outro avanço técnico envolve o aprendizado por reforço profundo para a "formação inteligente de feixe". A técnica permite que antenas se reconfigurem em microsegundos, direcionando a energia precisamente para receptores aliados e evitando a detecção inimiga, o que assegura links para aeronaves, embarcações e drones em ambientes de alta competição eletromagnética.
Para solucionar a dificuldade de comunicação entre drones aéreos e submarinos, os pesquisadores introduziram a "interface adaptativa-PINNs" (redes neurais informadas por física), que simula o comportamento das ondas de rádio na transição entre o ar e a água do mar.
O estudo surge em um contexto onde a guerra eletrônica é central para a estratégia militar, como visto na superioridade russa admitida por especialistas ucranianos — que, em resposta, produzem mais de mil drones FPV mensais guiados por fibra óptica de 41 quilômetros para evitar interferências. A própria China já opera o Hurricane 3000, arma de micro-ondas lançada em janeiro de 2026 que destrói enxames de drones a até três quilômetros via pulsos eletromagnéticos.
A iniciativa chinesa também considera a atividade dos Estados Unidos, que utilizam plataformas como porta-aviões, fragatas, destróieres e aeronaves de alerta precoce para monitorar o ambiente de ondas de rádio e coletar dados ionosféricos em áreas marítimas. O Pentágono já emprega IA em ataques contra alvos iranianos, embora defesas iranianas tenham explorado vulnerabilidades nos sistemas de guerra eletrônica do caça F-35.
O objetivo final da equipe de Li Fukai é a implementação de uma rede autoevolutiva. Esse sistema utilizaria a IA para aprender continuamente com o ambiente e reconfigurar autonomamente a postura de guerra eletromagnética, antecipando ameaças desconhecidas em vez de apenas reagir a padrões pré-estabelecidos.