Tecnologia

China utiliza capacetes que monitoram a atividade cerebral de trabalhadores para prevenir acidentes

06 de Novembro de 2026 às 15:50 3 min de leitura

Trabalhadores do metrô de Pequim e outras obras na China utilizam o capacete NeuroHua para monitorar estresse e cansaço via atividade cerebral. A tecnologia, com precisão declarada superior a 95%, visa prevenir acidentes e deve alcançar 10 mil unidades até o fim do ano. Paralelamente, a empresa Deayea implementou sensores similares em maquinistas e caminhoneiros para fiscalização de fadiga e aplicação de multas

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China utiliza capacetes que monitoram a atividade cerebral de trabalhadores para prevenir acidentes
Huanao - Novaceno

Trabalhadores da construção civil do metrô de Pequim estão utilizando o NeuroHua, um capacete desenvolvido pela Huanao Security que monitora a atividade elétrica do cérebro. O dispositivo realiza a leitura de sinais do couro cabeludo, sem necessidade de cirurgia, para identificar níveis de estresse e cansaço antes e durante a jornada de trabalho, visando prevenir acidentes.

Atualmente, 2.000 unidades do equipamento estão em operação, e a empresa planeja expandir esse número para 10.000 até o fim do ano. A Huanao Security já contabiliza mais de 300.000 horas de registros de eletroencefalografia (EEG). Além de Pequim, a tecnologia é aplicada nas obras das linhas 11 do metrô de Guangzhou e 15 de Chongqing, além de siderúrgicas e minas.

A empresa afirma que o sistema possui precisão superior a 95% na detecção de estados de alto risco, embora o funcionamento do algoritmo não seja detalhado. A Huanao também atua na construção de um laboratório de interfaces cérebro-computador para o Ministério de Gestão de Emergências, embora declare que não compartilha dados com o governo.

Monitoramento cerebral e fiscalização no transporte

Outra companhia chinesa, a Deayea (Shanghai Diyi Technology), implementou sensores semelhantes em gorros de maquinistas da linha de alta velocidade Pequim-Shanghai e, em 2024, em 890 caminhões na província de Shanxi.

Neste caso, a integração com a segurança pública é direta: a polícia de trânsito recebe em tempo real a identidade, a localização e as ondas cerebrais dos motoristas, utilizando essas informações para aplicar multas por distração. Além disso, desde 1º de junho, uma norma do Ministério de Segurança Pública utiliza o EEG como critério para determinar a fadiga de condutores envolvidos em acidentes, norma esta que contou com a participação da Shanghai Diyi em sua redação.

Comparativo com tecnologias de segurança

O monitoramento de fadiga é uma tendência global, mas com abordagens distintas:

  • União Europeia: Desde julho de 2024, carros novos devem possuir alertas de sonolência baseados na condução e no movimento do volante. A partir de julho de 2026, será obrigatório o uso de câmeras para detectar a distração do motorista.
  • Caterpillar: O Driver Safety System utiliza câmeras infravermelhas para medir a postura da cabeça e o tempo de fechamento dos olhos. Ao detectar fadiga, o sistema vibra o assento, dispara alarmes e notifica um centro de controle para revisão humana.
  • Wenco: A empresa canadense opera o SmartCap, um capacete de EEG com mais de 5.000 usuários em transportes e mineração.

Desafios técnicos e éticos

A eficácia da leitura cerebral via capacetes é questionada por pesquisadores. Um estudo de 2025 indica que o movimento, a pequena área de contato e o uso de eletrodos secos geram ruídos que dificultam a distinção de processos cerebrais específicos. No caso do SmartCap, a falta de publicações em revistas científicas revisadas por pares levanta dúvidas sobre a robustez do sistema em campo.

Há também a possibilidade de manipulação do sistema. No sindicato australiano Mining and Energy Union, relatos indicam que mineiros da Rio Tinto aprenderam a simular fadiga visual para obter períodos de descanso.

No campo regulatório, a Lei de IA da Europa proíbe a dedução de emoções de trabalhadores desde fevereiro de 2025, mas abre exceções para segurança e estados físicos como dor e fadiga. Contudo, a detecção de estresse permanece em zona cinzenta, e órgãos de proteção de dados alertam que neurodados são categorias sensíveis e altamente protegidas.

Uma diferença crucial reside na privacidade: enquanto a Huanao processa o EEG bruto em servidores próprios, o SmartCap envia apenas a pontuação de fadiga, evitando a transmissão dos dados cerebrais originais.

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