Crise de componentes leva indústria de smartphones a priorizar modelos de gama alta
O setor de smartphones integra inteligência artificial e hardware dobrável para alterar a interação do usuário. A Honor registrou crescimento de 18% na Europa em 2025, com 4% de participação de mercado. A alta nos custos de componentes desloca o foco da produção para aparelhos de gama média e alta em 2026
A indústria de smartphones atravessa uma fase de transformação profunda em sua interface e formato, afastando a possibilidade de a categoria ser substituída por novos dispositivos no curto prazo. A aposta agora recai sobre a integração de inteligência artificial e a evolução do hardware para alterar a interação entre usuário e aparelho, transformando o telefone em um centro de convergência para outros acessórios conectados, como óculos inteligentes.
A inteligência artificial surge como o elemento central dessa mudança, com a capacidade de migrar a operação dos aparelhos do modelo baseado em toques e digitação para sistemas conversacionais, tornando o software mais responsivo e natural. No campo do hardware, a tendência é a consolidação dos modelos dobráveis. A Honor, por exemplo, investe na categoria com o Magic V6, focando em reduzir a espessura e aumentar a autonomia da bateria para tornar o formato viável para o uso cotidiano e atrair consumidores além do público entusiasta.
Essa busca por novas formas de interação também aparece em conceitos como o Honor Robot Phone, apresentado na MWC. O dispositivo utiliza uma câmera retrátil que reage a comandos e acompanha movimentos, sinalizando a transição de telas retangulares estáticas para aparelhos com comportamentos ativos e dinâmicos.
Para expandir sua base de usuários, a estratégia da marca inclui a facilitação da migração de clientes da Apple. Em vez de promover a ruptura, a Honor prioriza a compatibilidade entre seu ecossistema e o iPhone, permitindo que o consumidor experimente um novo sistema sem perder a integração com seus dados e hábitos anteriores.
No mercado europeu, a expansão ocorre por meio de parcerias com varejistas e operadoras. Na Espanha, a marca mantém 800 pontos de venda via Vodafone e atua com a MediaMarkt e o El Corte Inglés. A MasOrange já detém 8% do mercado de smartphones, índice que sobe para 20% quando incluídos os tablets. Esses movimentos resultaram em um crescimento de 18% da Honor na Europa em 2025, segundo a Counterpoint Research, posicionando a empresa como a quarta maior marca da região, com 4% de market share, embora alguns rankings a coloquem em quinto lugar, atrás da Motorola.
Apesar do crescimento, o setor enfrenta a maior crise de componentes dos últimos 20 anos. A alta demanda de data centers voltados para a inteligência artificial pressionou os custos de memórias RAM, impactando severamente a produção de modelos de entrada.
Esse cenário econômico molda a tendência para 2026, com a indústria deslocando o foco dos aparelhos mais baratos para os segmentos de gama média e alta. Como o custo de produção subiu, a viabilidade financeira agora reside em produtos de maior valor agregado, onde a margem de lucro é mais protegida e o consumidor absorve melhor o preço de diferenciais como acabamento premium, IA e formatos dobráveis.