Empresa alemã lança sistema de defesa contra drones voltado para o setor civil
A Vanea Defence lançou o ATOMZA, sistema de defesa para o setor civil que utiliza radiação fotônica para neutralizar sensores ópticos de drones. A tecnologia, voltada a infraestruturas críticas, já está disponível comercialmente e opera via inteligência artificial europeia
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A empresa alemã Vanea Defence apresentou, durante a feira Drone Days em Bremen, o ATOMZA, um sistema de defesa contra drones desenvolvido especificamente para o setor civil. A tecnologia surge como uma alternativa para gestores de infraestruturas críticas, como estádios, aeroportos e usinas de energia, que atualmente enfrentam restrições legais para utilizar métodos tradicionais de neutralização de aeronaves não tripuladas.
Inovação óptica e brecha legal
Diferente de bloqueadores de frequência de rádio, lasers de alta energia ou interceptores — ferramentas restritas a forças policiais e exércitos —, o ATOMZA opera por meio de radiação fotônica. O sistema direciona essa radiação aos sensores ópticos do drone, o que "cega" a máquina e anula sua capacidade de navegação e gravação, sem derrubá-la fisicamente.
A Vanea Defence baseia a comercialização do produto na interpretação de que a neutralização do sensor óptico não constitui uma intervenção soberana, o que permitiria o uso por organizações privadas. Embora essa tese ainda não tenha validação regulatória independente, a União Europeia prevê a publicação de recomendações técnicas para esses sistemas no final de 2026, com a implementação de leis obrigatórias apenas para 2030.
Segurança operacional e diferenciais técnicos
A abordagem óptica oferece uma vantagem prática em áreas povoadas: ao não destruir o aparelho, o sistema evita a queda descontrolada de drones sobre pessoas ou estruturas, mitigando riscos de danos colaterais.
O ATOMZA se distingue de outras soluções civis já existentes no mercado, como:
- Sistemas de cyber sobre rádiofrequência: Utilizados por empresas como ApolloShield e Sentrycs (adquirida pela Ondas Holdings em 2025), que sequestram o protocolo de controle para forçar o pouso.
- Soluções mecânicas: Como o DroneCatcher, que utiliza redes para prender as hélices.
O diferencial do novo dispositivo é ser uma ferramenta ativa de longa distância que não depende de radiofrequência, GPS ou força cinética.
Soberania tecnológica e Inteligência Artificial
O ecossistema de defesa da Vanea é sustentado por um modelo de inteligência artificial desenvolvido e treinado integralmente na Europa. Segundo Oliver Hartkorn, cofundador e diretor de tecnologia da empresa, essa escolha visa garantir a soberania estratégica, eliminando a dependência de tecnologias externas para a segurança de forças armadas e operadores civis.
A IA é aplicada não apenas no ATOMZA, mas em toda a linha de detecção de ameaças da marca, permitindo que o sistema identifique alvos reais mesmo em cenários de enxames de drones, separando as ameaças de possíveis iscas.
Implementação e disponibilidade
O sistema já está em fase de testes operacionais com operadores de infraestrutura crítica e autoridades de segurança na Alemanha, com etapas adicionais previstas junto aos militares. Paralelamente, a Vanea Defence negocia a expansão do uso para outras autoridades internacionais.
Para Jens Hillenköter, vice-presidente executivo de Sistemas Aéreos Não Tripulados e Contra-UAV da companhia, a rapidez na implementação dessas soluções é urgente diante da mudança no cenário de ameaças na Europa. A disponibilidade comercial do ATOMZA para operadores civis já é imediata.