Empresa americana testa com sucesso estação de telefonia flutuante na estratosfera do Japão
A empresa Sceye testou com sucesso uma estação de telefonia flutuante na estratosfera, que percorreu quase 30 mil quilômetros em 30 dias. Integrada à rede da SoftBank, a plataforma HAPS permitiu a realização de chamadas e acesso à internet com desempenho similar a torres terrestres. O serviço deve ser comercializado no Japão a partir de 2027
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A empresa americana Sceye concluiu com sucesso a missão de teste ST1, utilizando uma aeronave não tripulada para validar a viabilidade de estações de telefonia flutuantes na estratosfera. O dispositivo percorreu quase 30 mil quilômetros em um trajeto que partiu do Novo México, nos Estados Unidos, chegou ao Japão e retornou ao continente americano, permanecendo 30 dias em operação.
A tecnologia, denominada HAPS (High Altitude Platform Stations), posiciona antenas em uma camada da atmosfera acima da altitude de voo dos aviões comerciais. Durante a operação no Japão, a aeronave manteve-se entre 16,5 e 17 quilômetros de altura, operando sobre a costa com um alcance de 5 quilômetros.
Conectividade e desempenho técnico
Equipada com o sistema SceyeCELL e integrada à rede da operadora SoftBank, a plataforma permitiu que técnicos realizassem chamadas, enviassem mensagens, navegassem na internet e assistissem a vídeos utilizando celulares convencionais. O sinal foi testado em ambientes abertos, sob árvores e dentro de edifícios, sem apresentar limitações.
O desempenho da rede foi comparável ao de torres terrestres, registrando um tempo médio de resposta de 68 milissegundos — um índice 40% inferior ao de servidores remotos via internet. Para alcançar essa eficiência, a Sceye instalou um servidor e parte do núcleo da rede móvel na própria plataforma, processando os dados localmente.
Além da conectividade básica, a missão validou sistemas de comunicação com drones e alertas para grandes desastres, visando a criação de uma rede de comunicação tridimensional.
Integração de camadas e expansão de cobertura
O modelo de negócio da Sceye não visa substituir as torres terrestres ou a internet via satélite, mas sim integrar as três camadas de conectividade. Enquanto as redes terrestres atendem áreas de alta densidade e os satélites cobrem vastas extensões, as plataformas estratosféricas atuam no meio termo, alcançando locais onde a infraestrutura física é cara ou difícil de implementar.
Em termos de escala, a empresa estima que cada plataforma possa cobrir a área equivalente a 500 torres terrestres, embora a capacidade real de usuários dependa das frequências disponíveis e da conexão com a rede central do operador.
Para otimizar a transmissão de dados, a Sceye desenvolve a conexão entre satélites e a plataforma via laser. O fluxo de informações desceria ao solo por links ópticos ou, em casos de mau tempo e nuvens, por rádio. Durante o teste ST1, a SoftBank, a Universidade de Hitotsubashi e o Instituto Nacional de Pesquisa Polar do Japão enviaram pulsos de laser do solo para a aeronave, conseguindo manter a reflexão da luz mesmo com o movimento do dispositivo a 16 km de distância.
Cenário competitivo e comercialização
O mercado de HAPS apresenta forte concorrência. A AALTO HAPS, subsidiária da Airbus, opera o Zephyr, um avião solar de asa fixa que voa acima de 18 km. A AALTO recebeu investimentos de 100 milhões de dólares de um consórcio japonês (NTT Docomo, Space Compass, Mizuho Bank e Development Bank of Japan) e possui centros operacionais no Quênia e Austrália.
Outras iniciativas incluem o Sunglider, desenvolvido pela AeroVironment e SoftBank para redes 4G e 5G, e as plataformas de hidrogênio da britânica Stratospheric Platforms Limited, focadas em 5G e 6G. A Sceye diferencia-se por utilizar uma plataforma mais leve que o ar, o que permite o transporte de conjuntos de antenas maiores.
A estratégia da Sceye é firmar parcerias com operadoras de telecomunicações em vez de vender diretamente ao consumidor final. A SoftBank planeja iniciar a comercialização do serviço no Japão a partir de 2027, período em que a qualidade das comunicações e o marco operacional deverão estar plenamente desenvolvidos.