Empresa chinesa apresenta WaveFly 5X, o primeiro veículo de efeito superficial para uso geral
A empresa chinesa Nave apresentou o WaveFly 5X, veículo de efeito superficial para lazer e transporte de até duas pessoas. O modelo atinge 85 km/h, possui autonomia de 80 km e suporta carga de 140 kg
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A empresa chinesa Nave, sediada em Suzhou, apresentou no lago Dong Taihu o WaveFly 5X, o primeiro veículo de efeito superficial (WIG) voltado ao uso geral. O dispositivo adapta a tecnologia de voo a baixa altitude para o segmento de lazer e transporte pessoal, permitindo que até duas pessoas naveguem por rios calmos, lagos ou regiões costeiras tranquilas.
O funcionamento do WaveFly 5X baseia-se na compressão do ar entre a asa e a superfície da água, criando um suporte extra que reduz a necessidade de energia em comparação a voos em altitudes elevadas. Construído com fuselagem de fibra de carbono de grau aeroespacial e estrutura de dupla asa em tándem, o veículo atinge 85 km/h, possui autonomia de 80 km e suporta uma carga máxima de 140 kg.
Essa engenharia remete aos ekranoplanos desenvolvidos na década de 60 pelo soviético Rostislav Alekseev. Na época, a tecnologia surgiu para superar a limitação de velocidade dos hidrofoils — que chegavam a 96 km/h devido ao fenômeno da cavitação —, resultando em projetos secretos da Guerra Fria. O exemplo mais emblemático foi o protótipo KM, com 92 metros de comprimento e 540 toneladas, apelidado de "Monstro do Mar Cáspio" pela CIA após ser detectado por satélites em 1966.
Embora o presidente da Nave, Lu Jian, posicione o WaveFly 5X como um avanço na liberdade de exploração e mobilidade aquática, o projeto enfrenta desafios. Vídeos indicam que o ruído do aparelho é intenso, assemelhando-se a drones militares ou motos modificadas, o que pode gerar impactos acústicos negativos para a fauna aquática e outros usuários. Além disso, não há datas oficiais para a produção ou planos regulatórios definidos, embora estimativas não oficiais sugiram um preço próximo a 100 mil dólares.
O lançamento ocorre em um cenário de expansão da mobilidade de baixa altitude. A agência Xinhua indica que o governo chinês projeta que esse setor movimente 2 trilhões de yuanes até 2030. Globalmente, a Morgan Stanley estima que o mercado de mobilidade aérea urbana e de baixa altitude atinja 1 bilhão de dólares em 2040, podendo chegar a 9 bilhões em 2050.
Outras iniciativas globais impulsionam a tecnologia WIG. Em Singapura, a ST Engineering planeja iniciar operações comerciais do AirFish 8 entre Singapura e Batam na segunda metade de 2026, com capacidade para 10 pessoas e velocidade de 185 km/h. Nos Estados Unidos, a startup Regent inaugurou em Rhode Island a primeira fábrica do mundo dedicada a esses veículos para produzir o Viceroy Seaglider, um modelo elétrico para 12 passageiros que chega a 290 km/h, com entregas a partir de 2027.
No campo militar, o Irã utiliza o Bavar-2 para reconhecimento no estreito de Ormuz, enquanto a China desenvolve um WIG de grande porte com pontos de ancoragem para armamentos. A DARPA também dedicou três anos ao estudo do Liberty Lifter, focado no transporte de cargas pesadas sobre o mar, redirecionando a pesquisa para fins comerciais em 2025.