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Empresa chinesa realiza primeiro implante comercial de interface cérebro-computador em paciente no mundo

18 de Julho de 2026 às 06:13

A empresa chinesa Neuracle realizou o primeiro implante comercial da interface cérebro-computador NEO em um paciente com lesão na medula espinhal. O dispositivo, aprovado pela agência reguladora da China, converte sinais cerebrais em comandos para uma luva robótica

Empresa chinesa realiza primeiro implante comercial de interface cérebro-computador em paciente no mundo
BCI

A empresa chinesa Neuracle (também conhecida como Borui Kang Medical Technology) concretizou o primeiro implante cirúrgico comercial de uma interface cérebro-computador (BCI) em um paciente. O procedimento beneficiou uma pessoa que perdeu a mobilidade da mão devido a uma lesão na medula espinhal ocorrida há dez anos.

O marco é significativo por ser o primeiro dispositivo invasivo deste tipo a obter a aprovação de uma agência reguladora nacional para comercialização, superando a Neuralink e outros concorrentes globais nesse quesito regulatório. O sistema, batizado de NEO (Neural Electronic Opportunity), recebeu o aval da Administração Nacional de Produtos Médicos da China em março.

Funcionamento e aplicação do NEO

O dispositivo possui dimensões semelhantes às de uma moeda e é equipado com oito eletrodos. A instalação ocorre via cirurgia na superfície da córtex sensório-motor, área cerebral responsável pelo planejamento e execução de movimentos.

O funcionamento do chip baseia-se no registro de sinais elétricos emitidos quando o paciente imagina mover a mão. Essas informações são transmitidas a um computador, que as converte em comandos motores para uma luva robótica. Na prática, o equipamento atua substituindo a função do nervo danificado.

O cenário competitivo e a corrida regulatória

Enquanto a China já possui um produto no mercado, a Neuralink, de Elon Musk, segue em fase de testes. Em 2024, a empresa implantou seu chip em um humano, mas não foi a pioneira, posto ocupado pela Synchron em 2022.

Até o início de 2026, a Neuralink contabilizava 21 pacientes em ensaios clínicos globais, divididos entre:
* Estudo original PRIME;
* Estudo internacional CAN-PRIME (Canadá);
* Testes de decodificação de linguagem e controle de braços robóticos para pacientes com sequelas de AVC ou ELA.

A empresa de Musk também desenvolve o projeto Blindsight, focado na restauração da visão via estimulação da córtex visual. Contudo, a Neuralink ainda aguarda a aprovação da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) para comercializar seus tratamentos.

Alternativas tecnológicas e abordagens menos invasivas

Outras companhias exploram caminhos distintos para a integração cérebro-máquina:

  • Synchron: Com apoio de Bill Gates e Jeff Bezos, utiliza o Stentrode, inserido pela veia jugular até a córtex motora, eliminando a necessidade de cirurgia craniana aberta. A empresa finalizou a inscrição do ensaio clínico COMMAND no fim de 2023.
  • Precision Neuroscience: Desenvolveu a Layer 7, uma película ultrafina com 1.024 eletrodos que não penetra no tecido cerebral. Em abril de 2025, obteve a aprovação da FDA para uso temporário (até 30 dias), como em mapeamentos cirúrgicos.
  • Blackrock Neurotech: Utiliza a tecnologia Utah Array em pesquisas clínicas há décadas.
  • Paradromics: Iniciou ensaios nos EUA com o Connexus, voltado à restauração da fala.

Existem ainda soluções que não exigem intervenções cirúrgicas complexas. A chinesa BrainCo criou uma mão biónica que utiliza eletromiografia e inteligência artificial para ler a atividade muscular. Já a Meta apresentou o Brain2Qwerty, sistema que traduz atividade cerebral em texto para auxiliar pessoas com doenças neurodegenerativas.

Estratégia geopolítica da China

O pioneirismo da Neuracle reflete a estratégia do governo chinês, que incluiu as interfaces cérebro-computador em seu último plano quinquenal. A tecnologia divide prioridades com a fusão nuclear, robótica com IA e computação quântica.

Devido a esse direcionamento estatal, há previsões de que a China alcance o uso generalizado dessas interfaces em poucos anos, podendo consolidar a liderança no setor de neurotecnologia antes que as empresas americanas obtenham as devidas liberações comerciais.

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