Empresa norte-americana desenvolve torreta com inteligência artificial para neutralizar ataques de drones em enxame
A Picket Defense Systems desenvolveu o Inferno RTC, uma torreta esférica com inteligência artificial e canhões fixos para neutralizar enxames de drones. O sistema opera via sensores óticos e acústicos, com versões de 20 kg e 41 kg que possuem alcance de detecção de 120 metros. A estrutura utiliza resina impressa em 3D e suporta munições diversas, lasers e redes de captura
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A Picket Defense Systems, empresa norte-americana, desenvolveu o Inferno RTC, uma torreta esférica equipada com inteligência artificial projetada para neutralizar ataques de drones em enxame. Diferente dos sistemas de defesa aérea convencionais, que dependem de um único canhão com movimentação mecânica para detectar e disparar contra o alvo, o novo dispositivo utiliza uma estrutura rotativa com dezenas de canhões fixos posicionados em diferentes alturas. A IA do sistema seleciona automaticamente a arma que já aponta para a direção da ameaça, eliminando a latência mecânica e permitindo a interceptação de drones vindos de múltiplos ângulos simultaneamente.
O sistema foi concebido para enfrentar drones de última geração que utilizam navegação autônoma ou fibra ótica, tornando-os imunes a bloqueios de rádio e guerra eletrônica tradicional. Para operar sem depender de redes externas, o Inferno RTC processa dados de sensores em tempo real e prioriza alvos de forma independente. A detecção é feita de maneira passiva, combinando câmeras óticas e uma rede de microfones acústicos tridimensionais, o que evita a emissão de sinais de radar que poderiam ser interceptados ou interferidos.
A tecnologia está disponível em duas versões: um modelo leve, de 20 quilos, com 36 canhões compatíveis com munições de 5,56 mm, .410 e calibre 20; e uma versão maior, de 41 quilos, com mais de 54 canhões que aceitam projéteis de 40 mm de baixa velocidade e calibre 12. Ambos possuem alcance de detecção de 120 metros e zona de intercepção garantida a 40 metros. Além da munição convencional, o equipamento suporta cargas úteis como lasers deslumbrantes, cortinas de fumo e redes de captura, visando a proteção de infraestruturas urbanas, bases militares e fronteiras com foco na redução de danos colaterais.
Para viabilizar a produção em escala e reduzir o peso, a startup substituiu o aço convencional por resina impressa em 3D nos componentes estruturais principais. Essa escolha técnica visa agilizar o despliegue, alinhando-se à estratégia de defesa distribuída adotada pelo Pentágono.
O lançamento ocorre em um cenário onde drones deixaram de ser ferramentas táticas para se tornarem centrais no combate moderno. Na Ucrânia, o uso de drones FPV com visão térmica e IA, além de bombardeiros de baixo custo e sistemas coordenados por software, transformou o campo de batalha. A eficácia dos ataques agora reside na inteligência e no baixo custo dos aparelhos, que operam como nuvens coordenadas em vez de trajetórias únicas. Como exemplo dessa escala, a Ucrânia testou um muro de 200 interceptores operados por apenas duas pessoas, com potencial de expansão para 1.000 unidades.
Essa pressão forçou as forças armadas a abandonarem a busca por uma defesa única em favor de sistemas em camadas, que integram artilharia de alta cadência, interceptores, guerra eletrônica e armas de energia dirigida. Enquanto o sistema alemão Skynex já derruba drones russos em combate, os Estados Unidos e marinhas aliadas desenvolvem canhões a laser para evitar o gasto de munição convencional contra alvos baratos. O cenário atual indica que a superioridade militar agora depende menos de grandes plataformas e mais do domínio de redes de máquinas pequenas, autônomas e coordenadas.