Tecnologia

Engenheiros criam chip que opera em temperaturas de até 700 graus Celsius

08 de Abril de 2026 às 18:18

Engenheiros da University of Southern California criaram um chip de memristores feito de grafeno, tungstênio e óxido de tungstênio que opera a 700 °C. O dispositivo integra memória e processamento, mantendo dados por 50 horas e resistindo a um bilhão de ciclos. O estudo foi publicado na revista Science em 26 de março

Engenheiros da University of Southern California desenvolveram um chip capaz de operar em temperaturas de até 700 °C, superando a barreira térmica que limita a maioria dos dispositivos eletrônicos atuais, que costumam falhar entre 150 °C e 200 °C. A inovação, detalhada em estudo publicado na revista Science em 26 de março, utiliza a tecnologia de memristores — componentes nanoeletrônicos que integram memória e processamento em uma única estrutura.

A arquitetura do dispositivo baseia-se na combinação de três materiais: grafeno, tungstênio e óxido de tungstênio. O grafeno, caracterizado por ser uma folha de carbono com espessura de um único átomo, confere ao chip a resistência térmica necessária para suportar condições extremas, semelhantes ao calor da lava. O desenvolvimento ocorreu a partir de uma descoberta acidental durante experimentos com grafeno, quando os pesquisadores notaram a resistência incomum do material ao calor.

Diferente dos chips convencionais, que separam as funções de processamento e armazenamento, o memristor realiza cálculos diretamente no fluxo elétrico. Essa mudança estrutural elimina a necessidade de movimentar dados entre a memória e o processador, o que reduz o consumo de energia, diminui o desgaste dos componentes e acelera operações complexas de Inteligência Artificial (IA).

Em testes laboratoriais, o chip demonstrou viabilidade prática com resultados consistentes: manteve a retenção de dados por mais de 50 horas e resistiu a mais de um bilhão de ciclos de operação.

A capacidade de funcionamento em calor extremo viabiliza a implementação de sistemas de computação e IA em locais anteriormente inviáveis. Na exploração espacial, a tecnologia permite a operação de sistemas em planetas como Vênus, onde as temperaturas chegam a 500 °C. No setor industrial, a aplicação é prevista para siderúrgicas e operações subterrâneas, onde a integração direta da IA nos equipamentos aumenta a velocidade de resposta e a segurança operacional, eliminando a dependência de processamento remoto.

A longo prazo, a inovação projeta a criação de data centers mais sustentáveis e a expansão da capacidade de IA sem que haja um aumento proporcional nos custos energéticos. Embora ainda esteja em fase de laboratório, a tendência é que a tecnologia evolua para viabilidade comercial, promovendo uma mudança estrutural no hardware e permitindo que a computação atue de forma integrada a cenários críticos.

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